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La Bohemie

Receita #17 Bolo MMP.

Diz uma amiga minha «De tudo, o que mais gosto de cozinhar são sobremesas. Eu explico: a perfeição funciona se a receita for seguida à risca. Gosto de contas certas e odeio surpresas.» E acreditem, a Filipa de Lima, alcança mesmo essa perfeição. Mas eu não.

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Eu adoro cozinhar, mas gosto ainda mais de inventar. É precisamente nas contas erradas, na surpresa do desconhecido, na receita seguida à curva que eu encontro a perfeição. Quando, há sete anos, fui viver sozinha, senhora minha Mãe ofereceu-me um livro de receitas de capa dura com 351 páginas.Um Prato, Uma Refeição. No fim da dedicatória que fez questão de escrever, menciona «Divirta-se». Acho que foi a única receita do livro que segui à risca. Divertir-me. Eu, que durante toda uma infância achei que «Línguas de perguntador» era mesmo um prato, torci o nariz assim que comecei a ler receitas como «Arroz caribenho de coco e feijão», «Balti de camarão e manga», «Shabu shabu à japonesa» ou «Omelete de agrião com gruyère e tomate». Oi? Então e o «Arroz de tamboril» e a «Feijoada de buzinas» e o «Rolo de carne com massa folhada»?

Há quem me pergunte como aprendi a cozinhar tão bem, há quem desabafe que se percebe que adoro cozinhar, há quem diga sempre bem dos meus pratos, mas eu garanto que sou o desastre em bolos, doces e sobremesas. Eu, que nunca precisei de uma batedeira, já vou na segunda em menos de um ano. Eu, que utilizo o medidor de dl para medir gramas. Eu, que estraguei a máquina de batidos para fazer massa de piza. Eu, que trituro bolachas Maria com a varinha mágica. Para quê aborrecer-me a fazer mousse de chocolate se posso comer a tablete inteira? Eu nem sequer gosto de doces. «Ah, mas o Bolo de Iogurte é muito simples de fazer». Não, não é. Coloquei o copo do iogurte com manteiga no microondas e derreteu tudo, a manteiga e o copo.

«De tudo, o que menos gosto de cozinhar são sobremesas.» O medo, o caos, o terror. O medo de aquecer o forno na temperatura exacta, o caos para untar formas e o terror a juntar fermento. Mas foi precisamente com contas erradas que alcancei a perfeição do Bolo MMP - Bolo Mármore, Mas Pouco. «Seis ovos? Credo, mas isso é uma caixa inteira e eu nem sequer gosto de números pares. Vou colocar três». Desatre! «Chocolate em pó? Só isso? É melhor acrescentar também cacau e raspas de laranja e um pouco de baunilha». Medo! «Por que raio vou separar as massas se depois vou ter de as juntar na forma? Mais vale misturar logo». Terror! Resultou mais Bolo de Madeira de Cerejeira do que Bolo Mármore, mas a minha irmã comeu-o todo, por isso, vou acreditar que estava bom. O truque da perfeição está no inventar, mas podem sempre seguir a receita original aqui.

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Beijinhos, La Bohemie.