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La Bohemie

Pisar o tapete.

Depois de já ter publicado aqui um texto sobre o drama de mudar o visual, eis que voltei a tocar no assunto. Havia decidido no fim-de-semana cortar o cabelo pelos ombros e voltar à franja, depois de terem dito que me ficava bem. A verdade é que sinto mesmo falta de uma transformação radical no meu aspecto físico, preciso de uma mudança que me faça sentir melhor comigo mesma, apesar de ainda não ter chegado a um consenso. Talvez com medo de não gostar e sentir-me ainda pior. E lá voltei aos pedidos de alguns amigos para não fazê-lo, que fico é bem de cabelo comprido, que a franja não me fica bem, patati-patata. Mas o que eu mais gosto numa boa conversa com amigos são as expressões que se aprende. Hoje aprendi o que significa «pisar o tapete». Ou de como todas as mulheres deviam ter alguém que lhes diga as verdades duras e cruas, como me disseram.

 

(...)

 

- Mas continuo a precisar de uma mudança radical.

- Acho que o que tu realmente queres é a materialização da tua mudança interior. E a maneira mais fácil talvez seja o espelho.

- Eishhh, essa foi forte. E verdade, talvez. Estou numa fase que não me sinto muito bonita. Daí querer ver uma grande mudança que me devolva a confiança e a auto-estima.

Gostei do teu muito bonita... estás só bonita, vá!

Estou. Acho-me bonita. Mas não me sinto no auge.

Tu só queres é red carpet glow!

- Eu até sou simples.

Mas o brilho está nas coisas simples. Tudo o resto é espalhafato.

- Neste momento não me sinto assim.

- Mas porquê, afinal?

- Porque tenho de acordar para a vida.

- E andas a dormir sobre o quê?

- Acho que preciso de ser amada. Sentir-me admirada.

- Não me digas que sentes falta disso, principalmente da segunda parte... acho que não queres é ver.

- Sinto falta, sim.

Tens dúvidas que és admirada?! Não falo de amar porque é outra dimensão...

Pessoalmente sim. Ter alguém ao meu lado que me admire.

Ahhh agora veio ao de cima a génese da questão, "ao meu lado".

O mundo virtual é uma ilusão amarga.

- Sem dúvida. Por vezes, uma ilusão. Estás numa de tapete.

- O que é estar numa de tapete?

- Nunca ouviste a expressão? Namorado ou companheiro tapete?

- Não. Explica-me!

Normalmente quando sais de algo muito forte, em que sais magoada, vais querer provar muita coisa a ti própria. E é aí que normalmente surge uma certa cegueira. Acabas por te apaixonar por algo que não és tu, é apenas diferente.

Já passei essa fase. Estou mesmo na fase de ter saudades de ter um namorado. Alguém na minha vida.

E vais comparar, espremer, forçar, e no fundo pisar o tapete. Normalmente a pessoa seguinte é o tapete.

- Pára de entrar na minha cabeça, caneco.

- Eu continuo apologista do «mais vale só que mal acompanhado».

- Então não arranjo alguém nunca mais?

- Vai ser quando tiver de ser. Não forço, não quero obsessão. Quero-me a mim antes de mais nada. Claro que arranjas, ora essa. Agora não faças disso o teu oxigénio. 

Também não gosto de obsessões, nem quero tornar-me nesse bicho. Tenho apenas saudades de ter um namorado.

Oxigénio a mais envelhece as células mais depressa.

Pois, eu sinto-me cada vez mais velha, feia e sem oxigénio.

Velha tu?! Como diz o Palma, «Deixa-me rir». Feia?! Ahah... bis Palma... bis!!!

Não me sinto muito bonita. Acho que me falta o sorriso, as borboletas na barriga e as dores no abdómen de tanto rir.

Borboletas não prometo, mas dor de riso até dou uma perninha.

 

E pronto, de repente, fiquei cheia de vontade de ir à Ikea comprar tapetes, que eu não quero cá pisar seja quem for.

 

Beijinhos, La Bohemie.

 

 

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