Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

La Bohemie

Pequenos achados.

Vou à Feira da Ladra quase todos os sábados. Pelos menos naqueles em que fico por Lisboa e caso não esteja a chover. Acordo cedo, saio de casa e vou a pé por essa cidade fora. É um passeio que me dá imenso prazer e aproveito-o para espairecer e fotografar. Não sou pessoa de fazer grandes achados, não tenho feitio para regatear e, quando vou sozinha, evito mesmo comprar alguma coisa. O problema da Feira da Ladra é que eu já sei que vou gostar de quase tudo, vou querer comprar quase tudo e sei que não posso. Não devo. Por isso mentalizo-me logo que vou apenas ver. Eu gosto de ver. Gosto do ambiente. Gosto de rever os feirantes residentes, de falar com um ou outro, de olhar os objectos, de observar os turistas. Fico sempre uma hora sentada no quiosque a beber café e a ler o jornal e depois vou espreitar a feira.

Mas quando vou com a minha irmã a história é completamente outra. A miúda gosta de quase tudo como eu e pior, tem olho para a coisa. Sabe regatear e chegar a um preço justo para ambas as partes. No sábado passado passámos lá a manhã e vim carregada de sacos com pequenos maravilhosos achados. Ainda nem tive tempo de arrumar tudo o que comprei, muito menos de fotografar, mas estou apaixonada por esta pasta de pele. Assim que olhámos para ela comentámos «Esquece, deve ser uma pequena fortuna. Ainda há bocado pediram-nos 35 euros pela outra». Nem quis saber, já desolada por não ter tido coragem de comprar a doctor bag, perguntei pelo preço. «Três euros», disse o senhor. «Perdão? Três euros? Treze? Trinta?», perguntei escandalizada por achar tão pouco por uma pasta vintage de pele genuína. «Três euros», repetiu. A minha irmã disse «Nem penses, leva-a já. Mesmo que não a uses, leva-a já. Podes até usá-la como carteira... leva-a já». Sempre disse que quando fosse uma escritora a sério iria ter uma pasta como esta. Bem, ainda não sou uma escritora a sério, mas já tenho a pasta dos meus sonhos.

 

 

 

Beijinhos, La Bohemie.