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La Bohemie

Os cenários da vida.

O jogo é muito simples. Temos três cenários, três personagens e quatro hipóteses de resposta. Se isto resultar, vendo o programa a uma produtora e acabamos de vez com a Casa dos Segredos.

 

Cenário 1: Um tipo começa a trocar mensagens com uma miúda. Trocam ideias, partilham informações íntimas, emoções fortes. Há uma ligação forte. Conhecem-se um dia, mas não chega a haver noite. Ela vai à sua vida, afasta-se e corta ligações. Desaparece. É melhor assim, pensam.

 

Cenário 2: Esse mesmo tipo começa a trocar mensagens com outra miúda pouco tempo depois. Na verdade, ela mesma já tinha mostrado interesse em conhecê-lo pessoalmente meses antes. Esse dia chegou. Entenderam-se. Depois de um dia, houve uma noite. Essa miúda ficou a saber de todos os pormenores do cenário 1 e imaginou de imediato um cenário 3. Mas aquele momento era dos dois e houve mais dias e mais noites. E meses. Até que, depois de uma noite, não houve mais dias. Ela vai à sua vida, afasta-se, mas mantém ligações. Não desaparece. E não sabe se foi melhor assim, pensa.

 

Cenário 3: Naquela noite, enquanto a miúda vivia o cenário 2 e soube da miúda do cenário 1, sabia que mais cedo ou mais tarde iria acontecer um cenário 3. Com ambas afastadas, o tipo percebe que nunca esqueceu a miúda do cenário 1. Ela aparece, voltam a trocar ideias, informações íntimas e emoções fortes. Encontram-se, trocam presentes, tiram fotografias. Tudo está bem quando acaba bem. O problema é que o cenário 2 acabou mal. E quando as coisas acabam mal, bem não estão. Sabem que nunca mais voltarão ao cenário 2 mas, como as ligações nunca foram cortadas, continuam a trocar algumas ideias, a partilhar informações também elas íntimas, emoções igualmente fortes.

 

O problema dos cenários da vida é que a miúda do cenário 2 percebe que o tal tipo só aparece quando sabe que algo não está bem. E como qualquer pessoa que não está bem, precisa de um amigo que a ajude e não apenas que lhe pergunte como está. Está mal. Já toda a gente sabe que está mal. E precisa de ajuda. E é isso mesmo que ela lhe explica ao fim de meses sem se verem. Que precisa de ajuda e não de desabafar, apenas. E esse tipo, estando no seu direito, chama-a de injusta, diz-lhe que sempre se preocupou e que é escusado tentar lidar com ela. Mas ela só precisava de ajuda... e é por isso que vos escrevo, caros leitores assíduos, porque precisamos da ajuda do público. Portanto, vamos às hipóteses da vida.

 

A) A miúda do cenário 2 ganha mas é juízo e faz exactamente o mesmo que fez a miúda do cenário 1, ou seja, corta todas as ligações e afasta-se de vez. No fundo, corta-se o mal pela raíz, mesmo acabando por ser a má da fita, uma chatice.

 

B) A miúda do cenário 2 ganha mas é juízo e, apesar de não cortar ligações, ignora-o tal como ele o faz quando ela está bem. No fundo, não precisamos de amigos só quando estamos mal, não é verdade?

 

C) A miúda do cenário 2 ganha mas é juízo e pura e simplesmente finge que ele não existe. No fundo é o que eles mais gostam, não é? De filhas da mãe que se armam em fortes e não precisam de um tipo para coisa alguma.

 

D) A miúda do cenário 2 vai continuar a achar que precisa mas é de ganhar juízo, mas como não sabe ser cabra (e sabe que no fundo ele tem apenas o seu feitio e preocupa-se mesmo com ela, mesmo depois lhe ter tido que era escusado tentar dizer ou fazer alguma coisa), continua a alimentar aquele limbo até ser ele próprio a ganhar juízo e desaparecer, tal como fizeram com ele.

 

Podem votar.

 

Beijinhos, La Bohemie. 

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