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La Bohemie

Madrugada sorrateira.

Já a madrugada sorrateira me devia ter embalado em horas de sono e descanso, quando dou comigo mergulhada em palavras e versos de outrem. Sorrio. Devoro cada linha como quem beberica um cálice de Vinho do Porto e perde-se na sua própria lucidez. Fecho as aplicações do tablet como quem folheia as últimas páginas de um livro, reparo num último email e obrigo-me a fechar os olhos e a adormecer a alma. Sorrio. Estás a sorrir, porquê, minha palerma? interrogo-me como se fosse proibido sentirmo-nos confortáveis com o inesperado, como se fosse ousado sentirmo-nos agradados com o inaudito. Porquê? Se o óbvio nos aborrece, se o enfadonho nos entendia, se o forçado nos agonia, por que razão não nos permitimos sorrir com o simples desconhecido? Exigimos tanto de nós e esperamos tanto dos outros que estranhamos quando um simples sorriso nos suscita outro sorriso, censuramos quando simples palavras nos conquistam, desconfiamos quando um simples reconhecimento nos alcança. Que nunca me acusem de ser ridícula por me sentir feliz com tão pouco, que nunca me tirem a vontade de sorrir por quase nada.

 

Beijinhos, La Bohemie.