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La Bohemie

Macacos iluminados à solta no Ártico com dragões imagináveis.

Primeiro dia do Optimus/ NOS Alive

 

Chegar a casa com uma dolorosa dor nas pernas e nos pés poderia ser mau sinal, mas como fomos ao Optimus / NOS Alive temos desculpa para esta sensação de gente meio morta, meio viva. A 8ª edição do Festival  arrancou hoje no Passeio Marítimo de Algés, em Oeiras, e entre macacos do Ártico, imagens de dragões e iluminados, tivemos tempo para ouvir muitos dos artistas que actuaram naquele que é considerado um dos melhores festivais da Europa.

Quem abriu as hostilidades do Palco Heineken foi a banda vencedora do Concurso de BandasOeiras Band Sessions 2014, os Jacarés. O sexteto começou como tantas bandas começam, por brincadeira. O próprio nome assume essa piada que rapidamente tornou-se numa identidade. «Os Jacarés propõem-se a criar um universo muito distinto que assenta em princípios básicos aos quais ninguém consegue ficar alheio, passando por uma linguagem cuidada que tanto nos remete para a celebração da vida como para a problemática que esta pode apresentar.Tudo num estilo musical fluído que junta o rock, o ska, o reggae, a música étnica, cultura urbana e o experimentalismo. Procuram de certa forma uma linguagem seriamente a brincar ao estilo de Sublime, uma linha musical melódica e harmoniosa com a profundidade do rock psicadélico dos Pink Floyd, composto por frases musicais simples e directas ao estilo de Dave Matthews Band». Os Jacarés começaram com três elementos, mas agora são o dobro. David Moreira, Vítor de Almeida, Cristiano Gouveia, Francisco Sousa, Bruno Santos e Alcino Gouveia (e hoje mais três) fazem-nos lembrar os Expensive Soul, mas mais no estilo de soul e blues.

Os responsáveis pela abertura do Palco RAW Coreto foram os portugueses Rodrigo Gomes e Duarte Ornelas. Vitória Régia são uma dupla que viaja pela world music passando pelo funk, por alguns tesouros do soul e até mesmo pelo Disco dos anos 80. Juntamente com Sebastião Teixeira, criaram a Duro, uma produtora independente com interesse num funk electrónico. Pelo mesmo palco passaram The Fishtails, Manuel Fúria e os Naufrágos, Sequin e Cpt. Luvlace. Quem marcou igualmente presença foi o grupo D30 (The trio). Nascida das cinzas dos Tédio Boys, a banda composta por Toni Fortuna, Tó Rui e Miguel apresentou temas do seu último LP, Love Blinder.

De volta ao palco Heineken, assistimos à actuação de Noiserv. O projecto do português David Santos ganha forma em 2005 quando decide gravar algumas ideias num álbum demo. Desde então já actuou em palcos estrangeiros, na Alemanha, Áustria, Inglaterra e Escócia. De entre as influências musicais estão bandas e músicos tão distintos como Radiohead, Jeff Buckley e Elliot Smith. Depois de editar em 2008 o primeiro LP, One Hundred Miles from Thoughtless, lançou no ano passado o seu mais recente trabalho, Almost Visible Orchestra.

A nova banda que faz um rock psicadélico, catártico e lisérgico vem de Kettering, Inglaterra, e abriu o concerto dos Rolling Stones no ano passado no Hyde Park. O quarteto é composto pelo vocalista James Bagshaw e Tom Warmsley (baixo), Adam Smith (teclado) e Sam Toms (bateria). Numa espécie de mistura interessante e improvável entre Tame Impala e T-Rex, o grupo Temples lançou em Fevereiro deste ano o primeiro álbum – Sun Structures – do qual faz parte o single «Mesmerise».

Quem também faz um rock alternativo e diferente daquele a que estamos habituados a ouvir nos últimos anos é a banda britânica The 1975, formada em 2002. Matthew Healy, Adam Hann, George Daniel e Ross MacDonald vêm de Manchester e, depois de terem lançado quatro EPs, editaram no ano passado o seu primeiro álbum – The 1975 – um trabalho que, além de adoptar o nome do grupo, mistura pós-punk, post-rock e rock alternativo. Os singles «Settle Down» e «Robbers» são novos e foram tocados hoje no Palco Heineken.

Ainda na onda do rock alternativo, a banda britânica Elbow actuou no mesmo palco, onde apresentou músicas do mais recente álbum The Take Off and Landing Of Everything. Seguiram-se os concertos do músico Tiago Bettencourt; a cantora norte-americana de R&B Kelis; o músico e Dj austríaco Parov Stelar Band; e a encerrar o palco e a noite, a dupla de electrohouse Booka Shade.

Num dia em que os britânicos Arctic Monkeys são cabeça de cartaz, o Palco NOS foi estreado pelo londrino Ben Howard. Apesar de contar ainda com apenas um disco de estúdio, Howard é hoje um dos nomes mais respeitados da cena musical folk. O seu primeiro EP, «Games in the Dark», lançado em 2008, chamou imediatamente a atenção da crítica e do público. Músicas como «Black Flies», «Keep Your Head Up», «Oats In The Water», «Old Pine» e «Promise» foram a prova contundente do talento do músico.

Seguiram-se os americanos The Lumineers. Foi uma das bandas mais pedidas pelo público e actuaram pela primeira vez em Portugal. A banda de New jersey, apenas com um álbum homónino lançado em 2012, conta com uma legião de fãs que tem esgotado as salas por onde passa. Hoje não foi excepção. Com o seu estilo folk rock norte-americano, autodenominado “Heart-On-The-Sleeve”, Wesley Schultz (vocais, guitarra) , Jeremias Fraites (bateria, percussão), Neyla Pekarek (violoncelo e voz), Stelth Ulvang (piano) e Ben Wahamaki (baixo) cantaram as míticas canções «Ho Hey», «Stubborn Love» e «Submarines».

Repetentes em Portugal, depois de terem esgotado o concerto no Coliseu dos Recreios, os norte-americanos Imagine Dragons voltam a fazer sucesso. Eram completamente desconhecidos até uma empresa de telecomunicações portuguesa utilizar a canção «Top of the World» num anúncio televisivo. Lembro-me de ter acontecido o mesmo com a banda de indie pop norte-americana Awolnation, em 2012, quando a música «Sail» serviu de banda sonora também para um anúncio. A banda veio ao Optimus Alive mas não surpreendeu. Por sua vez, os Imagine Dragons são diferentes. O grupo liderado por Dan Reynolds alcançou o reconhecimento internacional após o lançamento do disco de estreia, Night Visions, editado em Setembro de 2012. Na sua formação, para além do vocalista, conta com o guitarrista Wayne Sermon, o baixista Ben McKee e o baterista Daniel Platzman.

Os norte-americanos Interpol são outros que voltam a Portugal num dia em que os bilhetes esgotaram depressa. O trio oriundo de Nova Iorque é composto por Paul Banks (voz e guitarra), Sam Fogarino (bateria) e Daniel Kessler (guitarra). Têm estado a trabalhar num novo disco de estúdio, o sucessor de Interpol, lançado em 2010, por isso pudemos assistir a algumas novidades.

Os Arctic Monkeys foram a primeira grande confirmação do Optimus / NOS Alive e cabeça de cartaz do primeiro dia do Festival. Com o recinto lotado, a banda britânica apresentou num concerto único nesta 8ª edição, o seu quinto registo de estúdio, AM, depois do single de lançamento «Do I Wanna Know» ter sido recentemente premiado. O grupo de indie rock, formado por Alex Turner, Jamie Cook, Nick O’Malley e Matt Helders, é hoje um fenómeno mundial de vendas. O seu álbum de estreia, lançado em 2006, Whatever people say I am, that’s what I’m not, ficou na história da música britânica, após ter-se tornado no disco de apresentação mais rapidamente vendido no país, ultrapassando grandes nomes mundiais.

E na história ficou o primeiro dia da 8ª edição do Optimus / NOS Alive. Esgotado, macacos iluminados à solta no Ártico com dragões imagináveis

Juro não ser mentira, é apenas adrenalina.

 

Texto: Mafalda Saraiva

 

Beijinhos, La Bohemie.