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La Bohemie

Just do it.

Há pouco tempo a minha irmã perguntou-me o que fazia para ser tão magra. Olhei para ela muito séria e disse «Nem te atrevas a querer ser como eu. Sabes que eu deixo de comer e emagreço logo. Mas perco massa muscular, não perco massa gorda, por isso nem te atrevas a querer ser como eu». A verdade é que sempre fui magra, todos na família sempre foram magros. Mas eu nunca fui exemplo para alguém. Há anos que perdi o hábito de comer a refeição mais importante do dia, há anos que perdi o hábito de beber muita água durante o dia, há anos que perdi o hábito de fazer exercício físico todos os dias. E tenho saudades de ter um pingo de consciência. Tenho saudades de acordar com vontade de correr e alongar e sentir-me bem comigo mesma. Nunca fiz exercício para esculpir o corpo. Sempre fiz exercício físico por gostar, por me fazer sentir bem. Nunca cheguei a pesar 50 quilos em 24 anos, sempre fui muito criticada e rebaixada por ser demasiado magra, e por isso fazer exercício físico era uma forma de me sentir bem comigo mesma. Há seis anos vim viver para Lisboa e deixei de correr, deixei de fazer natação, deixei de jogar basquetebol e futebol, deixei de alongar, deixei tudo o que sempre fiz. As corridas passaram a ser apenas esporádicas e perdi por completo a motivação e força de vontade. A rotura de ligamentos no pé e no joelho vieram confirmar que o meu corpo precisava de exercício, mas nunca mais fui a mesma. Nunca.

Há uns tempos comecei a queixar-me a um amigo que não estava satisfeita com o meu corpo. Garanti-lhe que ia começar a tomar o café da manhã e iria voltar a cumprir todas as refeições do dia, cortando os hidratos à noite. Mas precisava de mais, precisava de voltar a correr. Cada vez que olhava para ele e percebia que é uma pessoa saudável, que se alimenta de forma equilibrada e que cumpre com a sua rotina no ginásio, percebi que também eu precisava urgentemente de regras. E de motivação. Confessei-lhe que não estava bem, que não me sentia bem com o corpo que tinha, que a minha auto-estima não era de todo a melhor e pedi-lhe ajuda. Pedi-lhe para começar a correr comigo, pedi-lhe para puxar por mim, pedi-lhe motivação.

Ontem cheguei a casa completamente derrotada, entrei no meu quarto, atirei com as coisas todas para o chão a chorar e liguei-lhe. Depois abri o saco que me dera e parei de chorar. Sorri, até. Estava ali a minha motivação. Uns calções da Nike com um dos meus mantras preferidos: «Just do it». E assim será, ele deu-me a motivação e tudo o resto terei de ser eu a fazer. Vou voltar às corridas, vou voltar aos alongamentos, vou voltar ao exercício físico que o meu corpo e a minha mente há muito precisam.

A motivação não se faz com frases inspiradoras e desejos escritos em intermináveis listas, a motivação faz-se com força de vontade. É a força de vontade que nos move, que nos guia, que nos faz acordar com a certeza de que daremos o nosso melhor para que tudo corra bem.

 

 

Beijinhos, La Bohemie.

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