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La Bohemie

Jessie J – O prodígio pop atuou no MEO Arena.

Jessie J no Meo Arena

 

Jessie J passou por Lisboa no passado domingo, dia 14, para um concerto único, prometendo muita energia em palco. A cantora e compositora britânica de 27 anos subiu ao palco do MEO Arena para apresentar o seu mais recente trabalho de originais, Sweet Talker, editado no mês de outubro. Depois da sua passagem por Portugal no ano passado e do seu espetáculo ter sido considerado o melhor concerto do Rock in Rio 2014, Jessie J regressou à capital portuguesa para atuar pela primeira vez em nome próprio.

Depois de uma primeira parte garantida pelos portugueses ÁTOA, as luzes da Arena apagam-se e ouve-se «Uptown Funk», de Mark Ronson e Bruno Mars. Fez-se um breve silêncio e já com os fãs impacientes pela chegada da diva eletrizante, num rasgar de luzes e cores, Jessie J surge a cantar «Ain´t Been Done», primeiro tema do álbum Sweet Talker, que também dá nome à digressão europeia. Quase sem parar para respirar, canta de seguida a icónica «Domino» e a empolgante «Keep Us Together», com Jessie sentada mesmo em frente aos fãs apenas com o fosso a separá-la.

Com uma Arena longe de estar cheia, saí do concerto um pouco intrigada e talvez desiludida. Os seus videoclips habituaram-nos a roupas extravagantes e cenários estonteantes, mas Jessie J deu-nos uma lição e mostrou que «Less is more». Num palco simples, com muitas luzes e sem ecrãs gigantes, nem bailarinas cativantes, a cantora britânica mostrou-se sempre irreverente e reveladora, à medida que ia largando a roupa juntamente com a energia dos seus temas. Com músicas como «Nobody´s Perfect» e «Who You Are», a artista mostra o seu lado humano, de amiga conselheira dos seus fãs e pede mesmo para que as pessoas se sintam bem e que se sintam bem com aquilo que sentem, dando enfase aos versos «It´s okay not to be okay» e «Just be true to who you are».

Foi certamente um concerto mais intimista numa Arena pouco composta do que a imersa magnitude a que nos habituou no Rock in Rio, mas Jessie como sábia entertainer e comunicadora, interpelou o público jovem, falou com eles demoradamente, soube defender a sua presença e a sua interação com o público foi fabulosa. Depois da admirável homenagem a Whitney Houston, com a música «I Have Nothing», dedicou-a ao público presente, por ser a razão pela qual regressa a Lisboa e sem o qual não teria nada. Jessie falou de si, da sua carreira, cantou os parabéns a uma fã e ainda assinou autógrafos mesmo ali no palco, tão perto da plateia e de todos aqueles pequenos braços esticados na esperança de tocar na diva pop e nunca mais lavarem as mãos. Eu esperei um pouco mais de espetáculo (e não do), mas para os fãs maioritariamente adolescentes, toda aquela intimidade foi suficiente para expressarem em alto e bom som os seus decibéis de entusiasmo e loucura.

Jessie J volta a deslumbrar com «Flashlight», com a arena completamente iluminada com as luzes dos telemóveis, e em «Sweet Talker» fez questão de pedir a quem fosse solteiro que levantasse a mão, e sugeriu ainda se caso vissem alguma cara bonita com a mão no ar, fossem ter com ela e cantassem a música juntos. Mesmo antes de deixar a plateia ao rubro com «Burnin´Up», desabafou a falta que sentia de Lisboa e o quão triste estava por vir no único dia de chuva em Junho, esperando bom tempo e muito sol. Pois, nós também, nós também, Jessiezinha. De boné na cabeça mostra o seu lado mais rebelde e conta-nos como um bar que frequentava quando tinha 18 anos a inspirou para a música «Do It Like A Dude», despindo a blusa que usou o concerto inteiro a dizer «Lisbon». O concerto termina mesmo com essa blusa a cair nas mãos de um qualquer adolescente feliz e afortunado.

Depois de uma breve troca de roupa, Jessie surge para um único encore com uma blusa toda customizada com o nome da tour «Sweet Talker» e exibe orgulhosa uma bandeira de Portugal para a música «Price Tag». Na maior e última interação da noite, Jessie conversa diretamente com alguns dos seus fãs, perguntas-lhe o nome, o que querem ser quando forem do tamanho dela (ou um bocadinho maiores, vá) e pedes-lhe para que nunca desistam dos seus sonhos e objetivos de vida, cantando a maravilhosa «Masterpiece». Já mesmo para terminar, canta o maior sucesso do seu último álbum «Bang Bang» no qual sentimos a falta de Ariana Grande e Nicki Minaj, mesmo com o público aos saltos e aos berros notoriamente satisfeitos com este concerto literalmente em nome próprio.

Os fãs terão gostado da proximidade acrescida, e com ‘Price Tag’, ‘Bang bang’ e ‘Masterpiece’ a encerrarem o evento, o saldo foi sem dúvida positivo.

 

Texto: Mafalda Saraiva

 

Beijinhos, La Bohemie