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La Bohemie

Eu também.

E tu também, o quê, minha matrafona, preguiçosa, frugal? Mas que mania é esta das pessoas responderem «Eu também» a tudo o que lhes é confidenciado, partilhado, desabafado? A sério, permitam-me a trivialidade, mas há muito tempo que discuto esta questão. O «eu também» é das respostas mais frias, vazias e vagas que conheço. E quem diz «eu também» a tudo e a todos, devia reflectir um bocadinho sobre o próximo diálogo. Ou pode imaginar outros que eu também.

 

- Gosto muito de segundas-feiras.

- Eu também.

- Já tinha saudades tuas.

- E eu tuas.

- Estou é com um bocado de frio.

- Também eu.

- Apetece-me beber um café para me aquecer.

- A mim também.

- Gosto muito deste espaço.

- Ya, eu também.

- É um café, por favor.

- Para mim também.

- Cheio, se possível.

- Também.

- Gosto de ti.

- Eu também.

- Também gostas de ti?

- De ti. E também de mim.

 

Agora imaginem coisas mais sérias, mais sinceras, mais íntimas. Imaginem este tipo de diálogo com uma pessoa durante dias, meses, anos. As pessoas que respondem «eu também» são normal e curiosamente as que não têm a iniciativa de dizer seja o que for, por isso, respondem apenas «eu também». Se substituírem o café, o frio e um qualquer lugar por um sincero «Gosto de ti», «Fazes-me falta», «És bonita/o», ao longo do tempo vão começar a perceber o quão frustrante é ouvir apenas um «Eu também» ou um «E eu» ou qualquer coisa que nem sequer é coisa. Ao longo do tempo vão começar a sentir falta não só das palavras, mas de alguém que as use convosco. Porém, se forem assim mesmo contidos, temidos e parcos em palavras, pelo menos usem a negação da concordância. Eu, por exemplo, uso-a imensas vezes com a minha irmã.

 

- Vou às compras.

- Eu também não.

- Tenho de lavar a loiça.

- Eu não.

- Não me apetece ir trabalhar.

- Nem a mim.

 

Vá, agora deixem de ser preguiçosos e vão lá para a frente do espelho aprender a comunicar com as pessoas, está bem?

 

Beijinhos, La Bohemie. 

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