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La Bohemie

Eles disseram que eu não conseguia e eu fiz.

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Por vezes precisamos de bater mesmo no fundo para nos erguermos. E eu bati mesmo no fundo. Noites em branco, noites de insónias, pesadelos e ataques de ansiedade. Dias nublados, dias de exaustão, fraqueza e desmotivação. A falta de energia era constante, a falta de vontade abundante. Não sei como me deixei chegar a este ponto, mas deixei de gostar de mim. Deixei que me fizessem tanto mal que acabei por desistir de mim. Culpei-me demasiadas vezes sem razão, castiguei-me demasiadas vezes sem noção, e ao longo do tempo perdi o que mais precioso tinha: a auto-estima. Quando lutamos para sermos mais e melhores durante anos e anos e o retorno é nulo, achamos que não merecemos qualquer respeito, deixamos de nos achar dignos de admiração, e o reflexo do espelho deixa de ser a transparência da alma. Eles disseram que eu não conseguia e eu fiz. Deixei de fumar, deixei de beber chá e café, deixei os comprimidos para dormir, deixei de me preocupar com quem não se preocupa, afastei-me de pessoas tóxicas, deixei tudo o que me estragava o corpo e a alma. Fui a vários médicos, fiz várias análises e exames para me certificar que o corpo é mais forte do que eu. Voltei a correr todos os dias, voltei a fazer exercícios de cardio e relaxamento, passei a dormir oito horas descansadas e saudáveis. Voltei a comer com gosto e prazer, deixei os açúcares, voltei a beber dois litros de água por dia. Voltei a fazer coisas tão básicas e primitivas que há muito deixara para trás. Voltei ao início antes que chegasse ao fim. Assim como só custa a primeira queda, também só custa o primeiro dia, o primeiro abdominal, o primeiro quilómetro, o primeiro degrau. Eu bati mesmo no fundo, mas levantei-me para tomar uma decisão para a vida. Quanto mais não seja para reaprender a gostar de mim.

 

Beijinhos, La Bohemie. 

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