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La Bohemie

Disparates, atrás de disparates.

Existem dois tipos de pessoas: as burras que não sabem e mesmo assim não querem saber, nem ouvir, nem esclarecer; e a minha irmã, uma tonta que faz-me rir com tantos disparates que saem daquela boca. A diferença é que ri-se também de si própria, mas depois procura as respostas, ouve e informa-se. E existo eu, claro, a que se ri dos disparates dos outros, mas consegue superar sempre com respostas ainda mais disparatadas. Disparates, atrás de disparates. 

 

Mãe - Então e que medicação lhe receitaram?

Táta - Amoxicilina e Blister.

Mãe - Oh filha, não seja tonta, blister é o revestimento dos comprimidos.

Eu - Eu não acredito que tu acabaste de dizer à Mãe que tinhas de tomar o blister.

Táta - Mas é o que diz aqui na bula, olha.

Mãe - Na receita, minha parvalhona. A bula é o folheto informativo que vem dentro da caixa dos comprimidos.

 

Táta - Ai. Olha, mana. Na pulseira do hospital vem o número do telemóvel da Mãe.

Eu - E então?

Táta - E vão ligara para a Mãe?

Eu - Claro, querias que ligassem para quem?

Táta - Não devia estar o meu número?

Eu - Claro, então tu estás a morrer numa cama de hospital e vão ligar precisamente para ti para te informarem que estás a morrer. Olha que realmente, Táta. Isso é o contacto de emergência, caso precisem de informar alguém. Querias que viesse aí a tua conta do Facebook ou do Snapchat?

Táta - Ah, pois é, que disparate. Ainda bem que não é do pai.

Eu - Olha, ainda bem que tens alguém a quem ligar, sim? Há pessoas que morrem e não são reclamadas.

Táta - Ai mana, credo.

 

Táta - Eu não percebi o que a médica disse. Enquanto tomar o antibiótico, paro de tomar a pílula?

Eu - Não, nem deves de todo parar de a tomar. A médica avisou foi que o antibiótico é muito forte, dose de cavalo como ela chamou, e que é muito provável que corte o efeito da pílula.

Táta - Mas ela referiu que cortaria o efeito até voltar a aparecer a menstruação... não percebi nada.

Eu - Mana, há muitas pessoas nesse mundo fora a achar que é um mito que os antibióticos não cortam o efeito da pílula e depois é ver essas miúdas parvas a aparecer em casa grávidas sem saberem como. O antibiótico deve ser tomado até ao fim e é forte. As composições dos antibióticos servem para "matar" todos os "monstros" que te desgraçam o corpo, por isso têm de ser fortes, naturalmente. E isso pode eliminar o efeito da pílula que não é assim tão forte, entendes? Tu podes tomar o antibiótico durante três dias, mas as suas substâncias continuam a actuar pelo teu corpo. Por isso deves tomá-lo até ao fim, mesmo que te sintas melhor, para que os teus anticorpos não se tornem ainda mais fortes que o antibiótico. É como ires para a guerra, ganhares uma batalha, mas ainda assim permaneceres lá um ou dois dias para te certificares que os vencidos não ganham forças e voltam a atacar. Com a pílula é o mesmo. Imagina que o teu corpo é a tua casa e a pílula é proprietária da casa. Sabes que dentro de três ou quatro dias terás uma vista que é o antibiótico. Tens de o receber e instalá-lo, certo? Ora, se a pílula é a dona da casa e vai embora, o antibiótico acha que a casa é toda dele e faz o que quer. Tens de mostrar que a dona da casa é quem manda e que não arreda o pé até a visita ir embora. O facto de teres de esperar até à próxima menstruação, imagina que é a empregada da limpeza, é apenas para te certificares que todas as migalhas que o antibiótico deixou espalhadas pela casa tenham sido limpas. É quando o teu ciclo menstrual limpa e renova todo o teu organismo, entendes? Portanto, tomas tudo até ao fim, como se nada fosse e não me apareças em casa mais gorda do que já estás. 

 

Táta - Oh mana, o Otorrino não é o médico dos ouvidos?

Eu - É, é. E o psiquiatra é o médico da cabeça.

Táta - Oh, não gozes. Se é o médico dos ouvidos e eu estou com uma amigdalite...

Eu - Mana, isso nem parece teu. Quando foste operada por causa da celulite periorbital tiveste de ser tratada por médicos de várias especialidades porque não só te afectou o nariz, a boca, os ouvidos e olhos, como o cérebro e o coração. A otorrinolaringologia é das áreas mais amplas da Medicina e actua tanto em doenças de ouvidos e nariz, como de faringe, laringe, cabeça e pescoço. E muitos mais. São zonas que estão todas interligadas. Tanto que o teu problema começou numa infecção bocal e alastrou-se para toda a zona da cara e cérebro, certo? Por exemplo, se fores parar ao hospital com uma dor de dentes, és vista por um médico de estomatologia que trata de tudo o que esteja relacionado com a boca e estômago. Podes ter um problema no estômago que na verdade originou na boca, que é onde começa a tua digestão, certo? Há pessoas que têm problemas gástricos porque têm defeitos na zona bocal - não mastigam bem por terem incorrecções nos dentes, por exemplo. Muitas vezes receitam-nos medicamentos para tratar uma infecção ou retirar as dores, mas esquecem-se de analisar o porquê de teres essa infecção e essas dores. Todo o corpo comunica contigo e para acabares com um problema, tens de actuar na origem e causa do problema e não apenas amenizar a dor das consequências. Por isso continuo a defender que devias retirar as amígdalas porque já tiveste demasiados problemas por causa delas. 

Táta - Então, porque é que o consultório diz «otorrino» e não «otorrinolaringologia»?

Eu - Sei lá. Deve ser para poupar espaço na placa, ou então o tipo não sabia escrever a palavra. Não sei mesmo. Se calhar, se escrevessem ORL os pacientes não se orientavam no hospital, mas é a mesma coisa.

 

Beijinhos, La Bohemie.