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La Bohemie

Correr de um lado para o outro sem destino.

«Desistir custa, e muito. Mas a falta de coragem para desistir de algo ou de alguém prende-nos a uma ilusão frustrante, agarra-nos a um estado infeliz e encaminha-nos para um labirinto de decepção e baixa auto-estima. Quando não há esforço, há conformismo. E eu deixei de me conformar com meias tentativas, meias lutas, meios sentimentos.», escrevi há cinco meses e agora que reli o texto, não mudava uma única vírgula. 

Hoje lembrei-me da frase cliché «Não corras atrás de quem sabe onde te encontrar». Principalmente se não sabes onde encontrar essa pessoa. Principalmente se essa pessoa não sabe onde ela própria está. Nunca gostei do Tom & Jerry nem do Bip Bip e Coiote. Nunca fui muito de jogar à apanhada, ao toque e foge ou às escondidas. Se calhar até fui, quando era miúda e ingénua. Hoje as coisas são um bocadinho diferentes. Uma pessoa perde o ritmo, cansa-se com mais facilidade e aborrece andar constantemente neste impasse de hoje sim, amanhã não. Agora apetece, depois dói a cabeça. Este tic-tac que provoca dolorosas e insuportáveis enxaquecas diárias, esta espécie de pingue-pongue sem bola e espectadores não é saudável seja para quem for. Desmotiva, atira-nos bem para o fundo do poço e depois é um trinta e um para voltar a subir. Relembro muitas vezes uma frase proferida pela minha ex-editora chefe «Se algo tá correndo mal, ou tu dá um jeito ou é melhor zerar tudo e começar de novo». Eu gosto muito da expressão «zerar», começar de novo, acabar o que nunca começou. Mas há pessoas que nem com jeitinho lá vão. Há pessoas que acham que um barco pesado se rema sozinho, há pessoas que não sabem que um motor de um carro não funciona se estiver estragado e que uma pilha não funciona se não estiver carregada. Há pessoas que nunca devem ter jogado à apanhada ou se calhar nunca viram o Tom & Jerry para perceberem que isto de andar a correr de um lado para o outro sem destino, em todos os episódios, cansa. O corpo e a alma.

 

Beijinhos, La Bohemie.