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La Bohemie

Atelier 29 - um andar secreto.

Costuma dizer senhora minha Mãe que sempre tive olho para escolher as peças de roupa e os sapatos mais bonitos... e os mais caros. Como se, mesmo sem saber, desejasse o mais complicado, o inalcançável. Talvez por isso escolho sempre os homens mais complicados. Mas deixemo-nos de devaneios. Dizia eu que desde sempre tenho tendência para optar pelo mais difícil, mais ou menos como «Ai não posso ter? Então é esse mesmo que eu quero.»

No Sábado, já cansados de correr as capelinhas do Bairro Alto e da Bica, apeteceu-nos dançar. Descemos até ao Cais do Sodré e depois de termos dançado no Sabotage, saímos. Já na rua, enquanto decidíamos qual a próxima paragem, olhei para uma enorme varanda mesmo diante dos meus olhos. Pessoas bem vestidas, animadas e a conversar. Um copo numa mão, um cigarro na outra. «Quero ir ali», comentei com eles sem saber sequer o que era o «ali». Mas o que é aquilo? Aliás, como é que se vai para ali? Só vejo a porta do Viking. Onde será a porta daquilo? Podemos ir ali?

Enquanto cada um fazia a sua pergunta mais do que natural, eu só pensava «Eu quero ir ali. Não faço ideia como, mas quero ir ali». Se não vemos a porta, procuramos a porta, ora. Demos a volta ao quarteirão à procura de uma porta, quando me deparo com uma vermelha. «Ui, se uma porta vermelha já por si só denuncia algo proibido, porta vermelha com campainha parece ser secreto». Tocámos e, quando já íamos lançados a subir as escadas, aparece um senhor bem parecido. Sorri-lhe e pensei Ok, isto deve ser uma festa privada, que vergonha. Depois olhei para trás dele e vi um corvo enorme a dizer Atelier 29. Um corvo? Atelier 29? Espera aí... a Rita ainda há dias escreveu para O Corvo qualquer coisa sobre isto... «Quem se aventura a entrar no n.º 29 da Travessa do Corpo Santo e sobe o primeiro lance de escadas é porque sabe ao que vai. Ninguém dá com o Atelier 29 por acaso, até porque apenas no rés-do-chão do prédio, ocupado pelo bar Viking, parece existir vida. São precisas duas coisas para que a grande porta vermelha da associação se abra: tocar à campainha e, de preferência, apresentar um cartão de sócio.» Eu não sabia para o que ia. Eu não tinha cartão de sócio e quando o senhor reparou que nem sequer éramos sócios, já me preparava para dar meia volta e ir embora. «Mas venham. Faço questão que experimentem e se gostarem, tornam-se sócios.»

E assim foi. Eu e os meus amigos infiltrados numa festa de aniversário de alguém, agora também nós bem vestidos, na varanda animados. Decidimos tornar-nos sócios (apenas 10 euros por ano) e comemorar também nós o meu aniversário ali, no Atelier 29 - um andar secreto, com festas e eventos privados.

 

 

Beijinhos, La Bohemie.