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La Bohemie

A pequena mulher da minha vida.

O dia da Mulher só podia ter sido passado com ela. Ainda me lembro de nos darmos muito mal quando éramos pequenas. Apesar de termos apenas três anos de diferença, eu achava-me muito senhora do meu nariz e olhava para a minha irmã como uma criança irritante. Sempre fui muito ciumenta face à relação da minha Mãe com os meus irmãos. O meu irmão por ser o mais velho e o mais respeitado, a minha irmã por ser a mais nova e a mais protegida. E cresci com a sensação de estar muitas vezes ali meio entre a espada e a parede, a malcomportada, a contestatária, a mimada, a refilona, a com pior feitio, a assim-assim. A verdade é que nunca me achei suficientemente boa para os meus pais e irmãos e cresci com a certeza que de nunca o seria. Muitas pessoas dizem que eu pareço a mais nova das irmãs e, no fundo, é assim que me sinto. A minha irmã é o meu exemplo e é a ela que recorro sempre que tenho dúvidas e certezas, é a ela que conto o bom e o mau, as peripécias, os segredos, os desastres. É ela que me ouve mais vezes. É a ela que oiço mais vezes, mais do que a minha mesma, porque ela é o meu exemplo, porque ela é a irmã que eu nunca fui ou achei-me incapaz de ser. Porque ela é a pequena mulher da minha vida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fotos: Natacha Saraiva

 

Beijinhos, La Bohemie.