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La Bohemie

Etapas.

Hoje, às 00:00h, saem os resultados das colocações de acesso ao ensino superior. É um momento importante, é uma fase bonita que nos aperta o peito de tanta ansiedade e nervosismo. É um passo que confirma três anos de esforço e dedicação, é um marco para a vida. Lembro-me tão bem do meu último ano de faculdade, os longos dias de estudo, cadernos repletos de apontamentos, exercícios, exames antigos, livros e mais livros. Estudava de duas em duas horas, fazia intervalos de meia hora para espairecer a cabeça e lá voltava eu para o meu quarto digno de um secretariado da Segurança Social. Deitava-me cedo, mas acordava todas as noites num tremendo estado de pânico e recitava os heterónimos de Fernando Pessoa, relembrava o Memorial do Convento e as descrições d´Os Maias, acordava a falar francês, alemão e inglês, recordava os mitos romanos e as declinações de Latim e ainda recitava as Cantigas de Amigo. Seguiram-se duas semanas de exames de disciplinas que tivera, de disciplinas que não tivera, e quando me pesei já estava nos 47kg e com um verdadeiro ataque de nervos. Tinha uma média óptima, mas a entrada na faculdade significava muito para mim – sair de casa dos pais, mudar de cidade e viver sozinha em Lisboa. Era o meu sonho há muitos anos e tinha de o conseguir. Depois pedi autorização ao meu pai para passar duas semanas em Lisboa e comecei o pré-estágio na cidade que me viu nascer mas não deixou crescer. Na primeira noite conheci aquele que viria a ser o amor da minha vida, o Marcelo. Detestei-o com todas as minhas forças, mas um ano depois apaixonamo-nos, até hoje. No primeiro dia conheci aquela que seria a minha segunda casa, a Católica. Detestei-a com todas as minhas forças, mas dois meses depois apaixonei-me – tenho tantas saudades das minhas colegas caloiras. Apesar de saber que muito provavelmente entraria na Universidade Católica, fui a Faro inscrever-me nas faculdades públicas e foi o verdadeiro inferno. Preencher formulários atrás de formulários, escolher meia dúzia de faculdades por ordem de preferência, cursos alternativos – uma tremenda confusão porque eu só queria ir para Lisboa. Ponto. Mas soube bem, soube muito bem entrar na plataforma da Universidade Católica, dia 4 de Agosto de 2007, e ver o meu nome na lista de alunos de Comunicação Social e Cultural. Desci as escadas, sorri para a minha mãe e abraçou-me como se o mundo fosse acabar – desde o início que me dissera só pagar os estudos se estudasse na Católica e assim foi, missão cumprida. Estava verdadeiramente feliz e realizada. Um mês depois, recebi um e-mail da minha directora de turma a felicitar-me por ter entrado na Universidade Nova de Lisboa e, apesar de já estar a duas semanas de aulas, soube bem saber que o meu esforço havia sido compensado duas vezes. Voltei a sentir a mesma felicidade quando fui colocada, no último ano de Licenciatura, na lista de alunos de Erasmus para a Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Mais uma mudança de cidade, de país, de continente. É bom mudar, ultrapassar obstáculos, enfrentar barreiras, passarmos de nível, é bom sentirmos este misto de ansiedade e nervosismo no estômago quando somos compensados pelo nosso esforço, luta e dedicação. A todos os que aguardam ansiosamente por toda a recompensa, boa sorte e muito sucesso nesta nova etapa da vossa vida.

 

Beijinhos, La Bohemie.