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La Bohemie

O (drama do) Facebook.

Qual é a probabilidade de recebermos uma mensagem privada no Facebook de uma desconhecida a informar que o nosso namorado anda a enganar-nos com ela? Qual é também a hipótese dessa mesma pessoa nos mostrar as mensagens que ambos têm trocado enquanto trabalham no mesmo escritório? Qual é ainda a possibilidade dessa pessoa dizer que não sabia que ele namorava e achou por bem alertar-nos?

 

É, talvez, das probabilidades mais fáceis e acessíveis de acontecer através do Facebook, exactamente por se tratar de uma plataforma virtual de fácil acesso e directa. Muitas têm sido as críticas a esta rede social, todos lhe apontam o dedo desculpando erros alheios e há estudos que comprovam que é uma das principais causas de divórcios nos Estados Unidos da América. A minha questão é: então por que é que as pessoas têm uma conta no Facebook?

 

Antes de mais, é necessário entender o que levou Mark Zuckerberg a criar a maior rede social a uma dimensão mundial. Se viram o filme Social Network devem saber que o filme começa precisamente com essa explicação, «fazer algo substancial para atrair a atenção dos clubes sociais já existentes porque são exclusivos, divertidos e conduzem as pessoas a uma vida melhor». Os clubes sociais foram criados para que um grupo de pessoas possa construir, manter e defender diversos interesses, passar uma imagem e impor uma posição. Embora seja a uma escala virtual, o Facebook é um grupo social, pode ser um núcleo fechado e restrito ou expandido a uma margem bastante abrangente.

 

A minha questão continua a ser: então por que é que as pessoas têm uma conta no Facebook? O fenómeno das redes sociais abriu portas para que as pessoas tenham uma constante exposição pública que permite um reforço sólido ao exibicionismo, narcisismo, voyeurismo e uma viciante interacção com o comportamento de busca de reconhecimento. O grande sucesso do Facebook deve-se à facilidade com que se pode aceder a fotografias, publicações e comentários de pessoas que conhecemos ou de pessoas que gostaríamos de conhecer, permite-nos rapidamente aceder a passatempos, promoções e jogos de empresas ou associações e possibilita-nos ler notícias em tempo real e comentá-las. As pessoas têm Facebook porque gostam e precisam de partilhar – assim como o Twitter, o Instagram ou os blogues porque são plataformas rápidas e acessíveis.

 

Dizem que o Facebook é o culpado de todos os males. Acho que se criou um enorme preconceito em relação ao mesmo e apontamos-lhe o dedo para desculpar tudo e todos quando os únicos culpados somos nós mesmos. Se somos suficientemente autónomos para ter uma conta virtual, temos que ser igual e razoavelmente autónomos para sabermos manter essa conta. E os exemplos são muitos. Se uma rapariga toda gira publica no mural uma fotografia de biquíni, não se pode admirar que lhe caiam em cima dezenas de comentários, muitas vezes grotescos, a dizer que «é boa como o milho ou que eram capazes de a comer». Se um rapaz usa no perfil uma fotografia com os bíceps e tríceps esculpidos não se pode espantar de ter dezenas de pedidos de amizade de raparigas interessadas. Se um rapaz é comprometido mas assume no perfil que é solteiro é bem provável que as “amigas” não o saibam e publiquem comentários constrangedores (principalmente para a namorada) no mural. Se uma rapariga diz ao namorado que no sábado à noite ficou em casa e depois é marcada nas fotografias de uma festa com as amigas, não se pode surpreender que isso lhe traga problemas. Os se´s são muitos, mas a culpa é única e exclusivamente nossa que nos colocamos a jeito e depois admiramo-nos.

 

Já vi rapazes a chatearem-se porque as namoradas não colocam no perfil uma fotografia com eles, raparigas a embirrarem com o namorado porque comenta as fotografias das amigas e não comenta as dela, porque fez “like” no comentário de uma e não no seu, já assisti a discussões entre casais por causa de fotografias, choros entre amigas por causa de músicas e vídeos, pessoas a falarem mal de umas e de outras no seu mural sem que as mesmas o saibam. Tantas e tantas outras histórias sérias ou engraçadas. E a culpa é do Facebook? Claro que não. As pessoas criam tantos dramas de volta do Facebook e nem sequer percebem que os seus conflitos é que são dramáticos, nem sequer se apercebem do que vai mal nas suas próprias vidas, de tão preocupadas que andam com as dos outros. Todas as nossas acções têm consequências, sejam boas ou más e é importante termos plena consciência disso. Há quem use as redes sociais para partilhar a sua vidinha, para cuscar a dos outros, para fazer promoções a produtos ou páginas pessoais, pessoas que usam o Facebook para tudo e para nada. Eu tenho duas contas no Facebook, uma pessoal, outra profissional e tenho, também, uma página exclusiva do blogue. Tenho duas contas no Twitter, uso o Instagram o Tumblr e, ainda, outras redes sociais. E sim, consigo gerir e controlar todas, sei o que publico em cada uma delas, sei quem são os contactos que tenho e controlo quem pode ou não visualizar e comentar. Existe uma coisa bastante importante em todas as redes sociais que se chama “Termos de Privacidade” e cabe a nós analisar e geri-los, tanto virtual quanto pessoalmente. Como em tudo na vida, tem as suas vantagens e desvantagens e o que parece ser muito bom, pode tornar-se muito mau. Para nós e para os outros.

 

Uma coisa é certa, se não queremos que os outros saibam, mais vale não o dizermos, se não queremos que os outros descubram, mais vale não fazermos.

 

Digam-me de vossa justiça, o que acham das redes sociais?

 

Beijinhos, La Bohemie.

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