Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

La Bohemie

Shot of Love.

Dois meses que voaram e cinco anos já se passaram. Dizes que a nossa história dava um filme, mas eu acredito que a nossa história ainda dará tantas e longas estórias, daquelas que se lêem nos livros de capa macia e suave numa tarde de Verão.

Tinhas a minha idade quando nos conhecemos, mas tão pouco em ti mudou. Continuas com os mesmos traços de miúdo, o mesmo olhar penetrante, a mesma expressão exasperante. Só mudaste no sorriso, está mais cheio de cor, de sonhos, de vida. Acho que foi por tudo isso que me apaixonei. Foi em nós que sempre acreditei. E esperei, por um amor possível que tornámos inexequível, inconstante, descontrolado. Uma paixão platónica vivida entre becos sem saída, escondida do mundo e engolida pelo medo de nos termos. Foste o meu maior sonho, pintado de todas as cores, mas foste também o meu maior pesadelo, daqueles em que sonhamos com o abismo íngreme e sem fim, daqueles em que sonhamos de olhos abertos mas não falamos, daqueles em que vemos mas não tocamos. Foste o desejo inconcebível, o anseio temível, a vontade de te ter e não poder, a angústia de poder e não dever. Os sins, os nãos, os talvez, os não sei, a certeza das incertezas, a ilusão das desilusões. Foste a minha maior batalha de todas as nossas guerras, foste a grande aventura de todas as nossas viagens, foste o maior sorriso de todas as nossas gargalhadas. Ensinaste-me a amar na dor e na doença, ensinaste-me a gostar em todas as alegrias e tristezas. Ensinaste-me a dar, a receber, a sonhar e a vencer. Ensinaste-me a ter. Ensinaste-me a esperar, mesmo quando perdi. Ensinaste-me a ter esperança mesmo quando desisti. Ensinaste-me a esperar cinco anos para voltar a sentir.

 

 

 

Beijinhos, Bu.

1 comentário

comentar post