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La Bohemie

Interior Design.

Agora que vou mudar de casa, outra vez, só penso numa coisa: decorar! Para evitar o terrível cenário de caixotes, atrás de caixotes, mudanças atrás de mudanças, a habilidade para empacotar e a arte de desempacotar - ou a falta de paciência para tudo isto - suspiro com imagens que poderiam muito bem ser minhas.

 

Há um ano que tenho a casa toda decorada de preto e branco, com apontamentos rosa, cinzento, azul-turquesa e vermelho, dependo do compartimento. Já passei pela fase das cores preferidas, pelas cores fortes, pelas cores assim-assim e com o tempo fui percebendo que as cores que mais gostava são precisamente as que mais me sufocam. Ainda hoje não consigo usar nada vermelho a não ser umas sapatilhas. Estudei muito as cores, a sua causa-efeito e percebi que a minha casa tem de ter imensa luz, paredes brancas, decoração a preto e branco com apontamentos e detalhes que estabeleçam um contraste. Ao longo do tempo descobri que não consigo ter molduras com fotografias de amigos e familiares porque, ao fim de um tempo, fazia-me sofrer imenso por recordar-me constantemente dos bons e maus momentos. Também deixei de ter fotografias só minhas porque fartava-me passado um mês – acabei por optar por imagens, telas e quadros que me inspiram estabilidade e confiança. Uns dos meus grandes problemas sempre foram as colecções, porque colecciono tudo – tenho mais de 8.000 pacotes de açúcar de todo o mundo, frascos e garrafas com areias de todas as praias que conheço, tenho mais de 5.000 postais normais e 2.000 de viagens. Colecciono canetas, missangas, acessórios da Barbie, isqueiros, maços de tabaco, tampas e caricas e anilhas, óculos, bilhetes de concertos, avião, festivais, cinema e museus, chapéus, conchas, panfletos e guias turísticos, moedas e notas, latas retro e vintage, frascos de perfumes, colheres de café – e já tive tudo exposto, acreditem, tive mesmo tudo exposto, como se a minha casa de um museu se tratasse. Quando vim para este apartamento foi tudo recambiado para a arrecadação da casa da minha mãe. As colecções são muito divertidas, umas são mesmo bonitas mas massacram uma pessoa, precisam de muita limpeza, muita manutenção, disposição, espaço e, ao fim de uns tempos, vivemos rodeados de memórias atrás de memórias e é cansativo. Hoje só tenho à vista os frascos com as areias e os postais (que ainda assim não estão expostos).

 

Sempre gostei de decorações e transformações – aliás, ainda hoje o grande desgosto da minha mãe foi eu não ter seguido design de interiores – gosto de olhar, planear, transformar, mudar, não gostar de nada e voltar a mudar até gostar. Gosto muito de pintar molduras, transformar espelhos e candeeiros, fazer capas de almofadas, pintar telas, pregar coisas na parede, recortes de revistas, agarrar em três mesas quadradas da Ikea e transformar numa prateleira para os electrodomésticos da cozinha, usar as estantes de cd´s e dvd´s como prateleiras para os frascos das massas, do café, do açúcar e das especiarias. Gosto de forrar os azulejos com papel de parede e ninguém dá por eles ou forrar o frigorífico com papel autocolante e imagens. Gosto muito do conceito “do it yourself” e dá-me um enorme gosto saber que as coisas velhas podem voltar a ser novas e que as novas podem ficar com um aspecto velho. Gosto de sentir que o meu espaço muda conforme as minhas mudanças. E, por isso, já ando a magicar decorações novas, transformações e pormenores diferentes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Beijinhos, La Boehmie.