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La Bohemie

Muda(r) de vida.

Sempre disse que viver sozinha, ter o meu canto e o meu espaço, não faria sentido se não estivesse cheio de amigos e repleto de amizade. Para mim, uma casa sem amigos, é uma casa despida, sem decoração, sem vida, sem luz. Há cinco anos que vivo assim, a saltitar de casa em casa e todas elas têm uma história, todas elas têm tantas estórias, tantos momentos, tantos amigos, amigos de amigos, colegas e familiares.

 

Vivi nesta casa durante dois anos e chegou a hora de mudar. Eu gosto mesmo de mudar. Acho que sou daquelas pessoas que já se habituou tanto às mudanças, às decorações e transformações que, quando chega ao ponto de não haver mais nada a acrescentar, tenho de mudar…de casa, de lugar, de pessoas. Por isso saí de casa da minha mãe, por isso mudei de cidade, por isso mudei de país e de continente, por isso já mudei de casa mais de dez vezes em 22 anos.

 

As mudanças não me assustam, não me tiram estabilidade, não me deixam insegura, antes pelo contrário. Se estou num qualquer lugar e começo a sentir-me sufocada, tenho mesmo de mudar, de um dia para o outro. Há pessoas que gostam muito do comodismo, não têm paciência para mudanças, não aguentam a distância nem as saudades, não têm coragem de agarrar numa mochila, dizer adeus e voltar um dia. Eu sou exactamente o contrário, eu preciso de constantes mudanças na minha vida, como se estivesse num campo experimental, coloco uma mochila às costas, digo adeus e volto quando tiver de voltar, preciso de sentir as saudades e a angústia da distância na pele, preciso de sentir quem realmente me faz falta, voltar e mostrar a essas pessoas como são verdadeiramente importantes na minha vida.

 

Acho que no fundo sinto necessidade de me perder dez vezes para me encontrar, preciso de cair vinte vezes e aprender a levantar-me, preciso de bater com a cabeça na parede trinta vezes para superar essa dor – não, não passo os meus dias a bater literalmente com a cabeça nas paredes, como é óbvio.

 

E chegou a hora de mudar, outra vez. Não de amigos - esses mudam connosco, esses ficam connosco, esses caminham connosco - mas de casa, de andar, de bairro e freguesia. Porque eu gosto mesmo de mudar.

 

 

 

Beijinhos, La Bohemie.

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