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La Bohemie

Escapadinhas ao Sul.

Cada vez mais acredito que desejamos muito o que não temos e sentimos falta daquilo que perdemos.  Mas não me refiro à inveja alheia ou ao desejo malicioso, isso é outra conversa. Falo de espaços, momentos e pessoas, imagens e sentidos, cheiros e sons. Invocamos constantemente um passado remoto e constante que nos surge por entre pormenores do quotidiano e esquecemo-nos muitas vezes do momento presente.

 

Vivi muitos anos no Algarve e acho que levei metade desses anos a queixar-me que o meu lugar não era ali, que nunca seria feliz ali, que não teria futuro, estabilidade e conforto. Mas foi por esses mesmos motivos que a minha mãe decidiu viver em terras algarvias. Detestava o caos e o stress de Lisboa e optou por dar-nos espaço, segurança, estabilidade e conforto. Mas eu não entendi ou não quis compreender as suas opções de vida e, assim que fiz dezoito anos, decidi viver sozinha em Lisboa. Era a minha cidade, era aqui que tinha os meus melhores amigos, o resto da minha família. Sempre acreditei que para ser actriz e jornalista tinha de ser numa grande cidade e sentia que precisava de tudo aquilo que a minha mãe nunca gostou, do stress, do caos, dos prédios altos e vistosos, do barulho e das luzes. Deixei-me envolver pela teimosia do meu ser e suplicava à minha mãe para voltarmos a viver em Lisboa, dizia-lhe que era egoísta e que só pensava no trabalho e a resposta era sempre a mesma «um dia vai entender a sorte que tem em ter casa no Algarve e poder vir cá sempre que quiser nas férias». Nunca me arrependi e acredito que pertenço aqui, mas hoje, passados cinco anos, não resisto em escapar de Lisboa e passar uns dias no conforto do campo e da praia e, por isso mesmo, amanhã rumo outra vez ao Sul. 

 

 

 

Beijinhos, La Bohemie.