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La Bohemie

Sushi Lovers.

Não me recordo de quando surgiu o grande boom do sushi em Portugal, mas lembro-me perfeitamente de detestar a minha primeira experiência. Eu ainda vivia no Algarve e as grandes festas do Sasha Summer Sessions trouxeram esta nova especialidade que fez o maior sucesso entre os convidados e os cirurgiões plásticos das "bombocas" do nosso país. A minha teoria em relação ao sushi é muito simples: as fantásticas festas do croquete começaram a dar prejuízo à Corporación Dermoestética e à Clínica Milénio, uma vez que as pessoas, que se acham demasiado importantes, iam a festas do mítico tapawer debaixo do braço como se de uma clutch se tratasse e, ia-se a ver, passados uns meses lá apareciam nas revistas cor-de-rosa a falar das ínfimas intervenções cirúrgicas a que foram submetidas – por causa dos ditos croquetes e empadas de atum. Ora, os cirurgiões não tiveram mãos a medir e juntaram-se numa conspiração contra o maldito folhadinho de salsicha e exigiram festas com menos calorias e, se possível, mais chiques – sim, porque na altura em que o sushi apareceu era chiquérrimo andar a comer peixinho cru enrolado em algas viscosas. Pobre povo que caçava peixe e comia-o cru por uma questão de sobrevivência – pergunto-me se também teriam festas à beira-mar ao som de uma qualquer balada do momento. E foi com esta imagem que fiquei do sushi há alguns anos - uma pessoa ia a uma festa, engolia um pedacito de arroz com uma lasca de salmão recheado com queijo philadelphia, não fazia ideia do que estava a comer, mas adorava – adorava porque era chique e estava na moda. E eu, que nem sou menina de muito alimento, não resistia chegar a um qualquer jantar e perguntar pelo porco no espeto.

Depois deixei a santa terrinha do sul e vim viver para a capital e foi aqui mesmo que tive a minha primeira grande experiência num restaurante de sushi e fiz questão de alistar os dez restaurantes que mais me marcaram, por várias e variadas razões. Não vos sei dizer qual acho melhor ou pior, sei apenas a ordem pela qual os visitei e as razões que me levam a gostar deles, seja pelo preço, qualidade ou, simplesmente, companhia.

 

 

Suntory Exotic Japonese Fusion (C. C. Picoas Plaza) – foi o primeiro e, para mim, vai ser sempre o melhor. Quando conheci o Marcelo, em 2007, todo ele aparentava aquele charme de homem que venera sushi e que conhece todos os restaurantes da cidade. Não me enganei, não fosse ele optar por levar-me, em 2009, ao Suntory. «Vou ensinar-te a gostar de sushi», disse-me em tom meio sério, meio a brincar. Se a memória não me falha, foi o nosso primeiro jantar num restaurante japonês e, do restaurante em si, só me lembro mesmo do nosso cantinho meio escondido por bibelôs, repleto de coxins no chão onde jantámos sentados sem olhares alheios – isso e o botão onde carregávamos para chamar o empregado disfarçado com o seu kimono (para mim, o Suntory é o restaurante do botão). Numa só noite aprendi que sushi é diferente de sashimi, experimentei as diversas combinações de peixe cru e arroz com vinagre, tentei distinguir-lhes o sabor e, num esforço mental, decorar nomes como hosomaki e temaki. Passei pela péssima experiência de provar wasabi e até hoje nunca mais lhe toquei. Foi a minha primeira vez (a sério?!) num restaurante de sushi, foi a primeira vez que fiz cara de peixe-balão e a primeira vez nunca se esquece. Como ele diz, e ainda hoje me deixa com as maçãs do rosto rosadas, «é o restaurante perfeito para fazermos bebés». Agora coisas que interessam, a qualidade é óptima, nada a dizer, o preço é elevado mas justo (pagámos no total cerca de cem euros) e vale mesmo muito a pena experimentar duas ou três vezes.

 

Aya (Galerias Twin Towers) – Fui ao Aya em 2010, quando regressei de terras brasileiras e, apesar de ser bom ou óptimo, este restaurante marcou-me porque foi o primeiro onde experienciei aquilo que via nos filmes – sentar-me ao balcão e ver os pratos de comida a passar ali mesmo à frente dos meus olhinhos. Não tinha de chamar o empregado, olhar para a ementa e pedir, não, aqueles peixinhos crus passavam e eu comia-os. Gostei muito da qualidade do peixe, vi o chef a preparar todos os pedacinhos que iam ser engolidos por mim, mas não é de todo o tipo de restaurante de enfardar sushi a noite toda porque, vai-se a ver, e a conta final é exuberante. Há pratinhos desde 2 a 6 ou 7 euros, por isso é o tipo de restaurante para se ir saciar o desejo (quando é pequeno) – não me recordo se há ementa ou não, mas já me disseram que o Aya em Carnaxide é espectacular.

 

Sakura (Rua José Carlos dos Santos, Entrecampos) – Se eu digo que o Suntory é o restaurante do botão, ele acha que o Sakura é o restaurante dos papelinhos, mas só entendi o porquê há duas semanas. Ora, o Sakura é daquele tipo de restaurante em que pagamos uma quantia fixa (não me recordo do preço, mas acho que não é caro) e comemos o que quisermos, por isso existem papelinhos onde marcamos cruzinhas atrás de cruzinhas.

 

Kyoto House (Av. D. João II, Parque das Nações) – Existem inúmeros restaurantes japoneses no Parque das Nações, mas eu só conheço este e lembro-me de lá ter ido como se fosse ontem. Estive os dois meses do Verão passado a trabalhar (sim, eu vou de férias para o Algarve e a primeira coisa que faço é arranjar trabalho) e, assim que tive uma folga decente, vim ter com ele a Lisboa. Nunca consegui gostar de Lisboa em Agosto, mas uma coisa é certa, os restaurantes estão vazios e podemos estar à vontade. Estivemos umas três horas ou mais a jantar sushi, sashimi e tudo a que tínhamos direito, acompanhado com jarros de sangria gelada. A qualidade da comida é óptima e tudo custou cerca de cinquenta euros.

 

Mikisushi (Rua Professor Abel Salazar, Guimarães) – É, talvez, o melhor restaurante de sushi que conheço. Adoro o nome, adoro a comida, adoro o ambiente do restaurante e adorei a companhia. Fui ao Mikisushi numa das minhas escapadelas ao norte. Se ele tem todo o charme de um homem que adora sushi, a Nini tem todo o requinte de uma mulher que o venera e foi assim que experimentei o verdadeiro convívio de um clã feminino num restaurante japonês. O Mikisushi fica em Guimarães, é divinal, tem uns aperitivos óptimos e servem um champanhe delicioso. Não me recordo dos preços, mas sei que se paga uma determinada quantia e come-se imenso (pela primeira vez, disse que não conseguia comer mais, mas a Ni e a Ana trataram do assunto à moda do norte).

 

 

 

 

 

 

Sushic (Rua Salgueiro Maia, Almada) – Fui ao Sushic de Almada há poucos meses e adorei o atendimento, o dono é uma pessoa muito acessível e gostei mesmo muito do espaço. A comida é óptima, o ambiente é bastante simpático e, pela primeira vez, acompanhei o sushi com chá – é divinal.

 

Confraria Lx (Rua do Alecrim, Cais do Sodré) – Não conheço a de Carcavelos, mas só o espaço da Confraria de Lisboa diz tudo. Por mim, trazia para casa o chef, os cadeirões e toda a decoração. Adoro!

 

Osaka (Av. Praia da Vitória, Saldanha) – É, talvez, dos melhores restaurantes qualidade-preço. Não me canso de lá ir. Se ele ensinou-me a gostar de comida japonesa, eu ensinei a minha melhor amiga. Depois de ter conhecido o Suntory, descobri o Osaka com a Dri. Paga-se 16 euros e come-se o que se quiser. Vou lá há alguns anos e é o lugar indicado para fazer almoços ou jantares com os amigos. A única coisa que não gosto é o facto de os empregados estarem logo em cima de nós, assim que olhamos para a ementa – fazem-me lembrar aquelas senhoras das lojas que estão a perguntar-nos de cinco em cinco minutos se precisamos de ajuda. E pela primeira vez consegui levar o Marcelo a um restaurante que ainda não conhecia – aquele homem conhece tudo, é horrível.

 

 

 

 

 

 

 

 

Mosi Mosi – Andava com uma enorme vontade de comer sushi e uma amiga minha falou-me de um restaurante onde se comia muito e pagava-se pouco. Não sabia o nome, não sabia a morada e foi uma aventura para encontrá-lo. Andei perdida nas ruas de Alcântara à procura do dito restaurante e, ainda hoje, não faço ideia do endereço do Mosi Mosi – só sei que fica no meio de uns edifícios novos em frente ao LX Factory. Mas a Telma não me enganou, a comida é muito boa, comemos tudo o que conseguirmos e paga-se mesmo muito pouco. Diria até que é o restaurante japonês mais barato que conheço.

 

 

 

 

 

 

 

SushiRio (Meninos do Rio) – Há dias fui ter ao trabalho dele para irmos jantar. Estava a chover, já passava das dez da noite e assim que me perguntou «onde é que vamos jantar?», respondemos sem hesitação «vamos ao sushi». E foi já a caminho, numa tentativa de decidirmos o restaurante, que nos apercebemos que já temos uma lista enorme de restaurantes japoneses. Lembrámo-nos do restaurante do botão porque tinha sido o primeiro, explicou-me a história dos papelinhos do restaurante em Entrecampos, rimo-nos da noite em que vim a Lisboa só para jantar sushi com ele e começámos a fazer cruzinhas mentalmente para que pudéssemos escolher algo novo. Foi então que me levou ao SushiRio. Pensava que já tinha experimentado tudo, mas afinal comi iguarias que nunca vi na vida. Eu sou uma leiga em sushi, para mim é tudo bom, desde que possa olhar para uma ementa com imagens e pedir tudo o que quiser, mas ele não, ele olha para uma lista de dez páginas e, mesmo sem bonequinhos, sabe sempre o que quer, entende chinês e japonês, fala com as empregadas sobe os ingredientes e sabores e eu delicio-me apenas com a arte do chef. O restaurante é à la carte, é caro, mas vale tanto a pena, tem pratos divinais, uma apresentação espectacular e provoca orgasmos psicológicos. O restaurante estava vazio, por isso o chef preparou-nos pratos especiais e ainda nos ofereceu pedacitos de sushi e sashimi extra.

 

Beijinhos, La Bohemie.

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