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La Bohemie

Haruki Murakami.

 

Sou completamente viciada nas obras do romancista japonês Haruki Murakami. Não há nada a fazer. Li os volumes 1 e 2 de 1Q84 num mês e estou com ganas de comprar o volume 3 em inglês porque tenho para mim que não vou conseguir esperar pelo lançamento da versão portuguesa. A sua escrita é bastante cativante e o leitor é constantemente empurrado para o secretismo das seitas após as revoluções estudantis da década de setenta e o seu descontentamento com a sociedade da época - a vida imparável e constante de Tóquio, a sua claustrofóbica vida citadina em contraste com a simplicidade das montanhas, a vida dos solitários em vertentes muito separadas que parecem fundir-se em certas personagens. Mukarami aposta em personagens solitárias com memórias traumáticas profundas, muito bem exploradas num mundo paralelo, numa simbiose muito próxima do realismo que prende o leitor neste constante vaivém da realidade surreal com uma escrita simples e muito eficiente. São livros que pela sua escrita e temáticas exigem que o leitor leia com atenção, faça pausas na leitura, reflicta sobre o que leu e o seu significado e só depois prossiga.

 

1Q84, volume I - Um mundo aparentemente normal, duas personagens - Aomame, uma mulher independente, professora de artes marciais, e Tengo, professor de matemática - que não são o que aparentam e ambos se dão conta de ligeiros desajustamentos à sua volta, que os conduzirão fatalmente a um destino comum. Um universo romanesco dissecado com precisão orwelliana, em que se cruzam histórias inesquecíveis e personagens cativantes.

Em 1Q84, Haruki Murakami constrói um universo romanesco em que se cruzam histórias inesquecíveis e personagens cativantes. Onde acaba o Japão e começa o admirável mundo novo em que vivemos? Uma ficção que ilumina de forma transversal a aldeia global em que vivemos.


1Q84, volume II – O primeiro livro revelou a existência do mundo de 1Q84. Algumas perguntas encontraram resposta. Outras permanecem em aberto: Quem é o Povo Pequeno? Como farão esses seres para abrir caminho até ao mundo real? Existirão mesmo?, como sugere Fuka-Eri.

Chegarão Aomame e Tengos a reencontrar-se? «Há coisas neste mundo que é melhor nem saber», como diz o sinistro Ushikawa. Em todo o caso, o destino dos heróis de 1Q84 está em marcha. No céu, distinguem-se nitidamente duas luas. Não é uma ilusão. Murakami descreve aqui um universo singular, que absorve, que imita a realidade, e a faz sua. A narrativa decorre em dois mundos que se cruzam, qual deles o mais real e o mais fascinante - o de 1984 e o de 1Q84.


Esta trilogia retracta a perturbante história de um amor adiado, recortada num cenário marcado pelo desencanto e pela violência. Uma fábula sobre os dilemas do mundo contemporâneo. Murakami retracta o mal-estar da sociedade japonesa que se esconde por debaixo de uma aparente quietude.

 

 Outras das três obras que mais gosto são, sem dúvida, Kafka à Beira-Mar; Sputnik, Meu Amor e Dança, Dança, Dança.

 

Kafka à Beira Mar não é fácil ler o livro porque não é um livro com uma escrita fácil. Ao contrário de tantas outras obras, que nos dão respostas, esta coloca-nos perguntas - Murakami encaminha o leitor para um passado e um futuro, que se confrontam lado a lado repleto de metáforas. Num mundo de fronteiras temporais, o presente convive a nossa história com os nossos anseios.  A fluente e a exigente descrição psicológica das personagens prendem-nos, num livro onde o non-sense e o fantástico poderiam desinteressar - não é um livro que fala do fantástico, usa o fantástico.

 

“E não há maneira de escapar à violência da tempestade, a essa tempestade metafísica, simbólica. Não te iludas: por mais metafísica e simbólica que seja, rasgar-te-á a carne como mil navalhas de barba. O sangue de muita gente correrá, e o teu juntamente com ele. Um sangue vermelho, quente. Ficarás com as mãos cheias de sangue, do teu sangue e do sangue dos outros. E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido.” (Haruki Murakami, in 'Kafka à Beira-Mar')

 

Sputnik, Meu Amor - Não há discussão para a escrita de Haruki Murakami - o autor tem a brilhante capacidade de nos envolver em histórias narradas numa escrita simples e coerente, repletas de detalhes que tornam-se em momentos-chave para a atenção do leitor. As personagens, apesar de simples, têm sempre um passado vincado que nos deixam a pairar entre o real e a fantasia.

Um jovem professor primário, identificado apenas pela inicial «K», apaixona-se por Sumire, uma jovem aspirante a escritora. Quando esta entabula uma relação amorosa com Miu, uma enigmática mulher de meia-idade que a emprega como secretária, K é relegado para o ingrato papel de confidente. Sumire, porém, estando de férias numa ilha grega com a sua amante, desaparece misteriosamente, e K é chamado para ajudar nas buscas. Um estranho triângulo que oferece uma profunda reflexão sobre a solidão, os sonhos e aspirações do indivíduo e a necessidade de os adaptar à realidade.
Dança, Dança, Dança - Mais uma vez a realidade une-se ao fantástico. O título que Murakami foi buscar a uma música dos Beach Boys, é um romance sobre um homem perdido, desligado da realidade, sem laços que o unam a algo. A obra começa com a referência à morte do seu gato - os gatos, assim como a música, são elementos obrigatórios nos livros de Haruki Murakami, utilizados pelas personagens, implicitamente, como forma de atenuar a solidão. Neste romance Haruki Murakami continua a trajectória da personagem de Em Busca do Carneiro Selvagem - agora à procura do seu antigo amor que desapareceu misteriosamente do Hotel Golfinho. Nessa nova busca, o narrador, um jornalista freelancer, perde-se cada vez mais num universo de realismo fantástico, quase kafkiano, envolvendo-se com personagens verdadeiramente singulares: uma adolescente clarividente, um actor de cinema extravagante, um poeta maneta e prostitutas de luxo.
Ambientado em Tóquio, este romance aborda temas como a solidão, o amor e a efemeridade da vida e retrata uma sociedade em constante transformação, altamente consumista e regida por valores como a fama, o dinheiro e o poder. Ao som de músicas dos anos 60, 70 e 80, o narrador e os seus amigos acabam por se envolver num caso de homicídio.
Beijinhos, La Bohemie.

 

 


 


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