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La Bohemie

Ai o Mini Cooper!

Nunca liguei muito a carros, a sério que não. Desde miúda que aprendi a posicionar o macaco e mudar um pneu ou verificar o óleo, aprendi a carregar a bateia e todos os truques para se ligar um carro sem a chave - e aprendi porque via o meu pai fazê-lo e queria saber para que serviam as coisas e como funcionavam. Sempre detestei manuais de instruções, tinha de mexer no objecto e aprender por mim mesma. Nunca liguei a carros, nunca tive vontade de ir à frente assim que fiz doze anos, detestava andar sem cinto e fazia-me confusão como é que uma pessoa tinha capacidade de carregar em tantos pedais, escutar o som do motor e saber quando trocar de mudança e, ainda, olhar por tantos espelhos. Nunca liguei a carros mas, desde miúda, gostava de aprender todas as regras de condução, desde dar prioridade num cruzamento, ultrapassar pela esquerda, não se poder ultrapassar quando o traço era contínuo, para que serviam os sinais de trânsito e porque umas vezes tínhamos de andar devagar e outras um pouco mais depressa. Mas a pressa foi tanta que tive um acidente que me marcou para a vida e ainda hoje não consigo pegar num carro - tenho pânico, tenho terror, só de pensar que vou fazer uma viagem de carro fico com suores interiores e imagens terríveis na cabeça. Não há noite que não tenha pesadelos com carros e acordo com náuseas. Já fiz terapia, de vez em quando conduzo no Algarve ou no Alentejo mas, sempre que me imagino a ter de conduzir no meio do inferno de Lisboa, entro em pânico e digo para mim mesma que um dia há-de passar. Imagino-me muitas vezes a conduzir toda contente e a ter um qualquer ataque de pânico no meio do trânsito e deixar ali o carro sozinho, ao abandono. E por isso é que, quando me falam na marca do carro, nas jantes, na cilindrada, no conforto e na segurança, eu torço o nariz e digo que não ligo muito a carros - para mim são todos iguais, são todos tão bons como maus, pouco me importa se é um BMW 320 Si ou um Mercedes S55 AMG que são iguais, são carros. Que me perdoem os amantes destas máquinas.

 

Apesar de ter um terror absoluto de andar de carro, gosto muito de conduzir, a sério que gosto e, surpresa das surpresas, sempre que me perguntam se há algo que eu gostava muito mas muito de ter, eu digo sem hesitar - um Mini Cooper. Quem me conhece sabe como adoro de paixão esse carro e como brilham os meus olhos cada vez que o vejo na estrada ou estacionado. É um amor platónico que não tem explicação, até já jurei a pés juntinhos que voltava a conduzir se tivesse um Mini Cooper e que casava com o primeiro homem que me oferecesse um. E porque estou eu com esta conversa toda à volta de algo que me provoca tanto pânico? Porque ontem ofereceram-me um Mini Cooper prateado - Mealheiro! Pois é verdade, ofereceram-me o meu primeiro mealheiro e agora só me falta juntar o dinheirinho para comprar um verdadeiro.

 

 

 

 

Beijinhos, La Bohemie.

 

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