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La Bohemie

Ai Zon, Zon, que eu já não posso convosco.

Não sei o que é mais estranho, se receber uma carta do meu namorado, com quem estive ontem à noite, se receber uma carta da Zon quando já não presto dos seus serviços há meio ano. Como já sabia que dali não vinha coisa boa (certamente que não me iriam enviar um postal a desejar Boa Páscoa), abri o outro envelope, na esperança que fosse algo melhor. E era. Desembrulhei e deparei-me com uma caixinha metalizada com um L. - tendo em conta que me chamo Mafalda, deduzo que seja de Love. Para abrir a caixinha foi dos diabos, mas eis que abro e deparo-me com dois espelhos, um para ver ao longe, outro ao perto. “Ohhh, tão amoroso, ofereceu-me um espelho para eu ver como sou bonita todos os dias”, pensei eu. Mas como aquele menino é esperto como o raio e sabia que eu ia ter qualquer tipo de pensamento mais egocêntrico, lembrou-se de escrever um post-it a dizer “Agora já podes ver-te ao espelho no carro quando quiseres”. Pois que o homem conduz um carro sem espelho no lugar do pendura e eu, como é óbvio, a primeira coisa que fiz quando entrei, pela primeira vez, naquele carro foi ver-me ao espelho e nada. E como sou uma menina de poucas palavras fiz questão de dizer “Mas olha lá, não sabes que uma mulher precisa sempre de um espelho no carro?” e ele, sem saber muito bem o que fazer, virou de imediato o retrovisor para que eu pudesse retocar o batom. Senhores deste país, qualquer carro que vossas excelências conduzam precisa, obrigatoriamente, de um espelho no lugar do pendura, pois é crucial para que uma mulher possa deslumbrar, ao longo do percurso, o seu maravilhoso sorriso, sim? E apesar do menino trocar de carro já depois de amanhã, obrigada pelo presente.

 

Mas agora vamos a coisas mais sérias, sim, coisas que me deixam com os nervos em franja (agora percebo porque é que a mesma tende sempre a encaracolar quando a estico). Oh senhores da Zon, vamos lá ver se nos entendemos. Quando, em Setembro, tomei a liberdade de cancelar o nosso contracto de quatro anos e mudar de operadora, não foi só porque me apeteceu. Não acordei um dia mal-humorada e pensei para com os meus botões “ora hoje está um lindo dia de Sol e apetece-me cortar relações com a Zon”. Como devem calcular, tenho formas mais originais para acordar. Portanto, quando eu decidi terminar o nosso contracto foi porque não estava satisfeita com os vossos serviços, com a vossa incompetência, com a quantidade de problemas que me arranjavam diariamente, com a má prestação de serviços face à quantia (e não, não era uma gorjeta) que eu pagava todos os meses. Vejam a situação como um divórcio – as pessoas separam-se porque a relação não tem um futuro possível. A minha questão é: se eu não presto dos vossos serviços há seis meses, se eu já nem sequer uso o vosso material, se eu assinei um contracto a cancelar o serviço, se jurei a pés juntos na vossa loja que já não vos queria ver à frente, por que raio é que hoje recebo uma carta vossa em como tenho de pagar quase 400 euros? Hm? Podem explicar-me? Pois que expus o problema na minha timeline do Twitter e vocês descobriram-me logo e prestaram-se muito disponíveis em ajudar. Pois, mas agora a barracada já está feita e quer queiram, quer não, amanhã vou montar a banca de frutas na vossa loja e quero ver se me resolvem o problema com tanta agilidade. Espero bem que sim, porque eu não me vou conter de insultos porque vocês deixam-me com os nervos em franja.

 

(Desta vez não há beijinhos nenhuns...) La Bohemie.

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