Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

La Bohemie

Happy Carnival.

Nunca achei piada ao Carnaval e acho que existe cada vez menos criatividade por parte das pessoas que o comemoram. Ainda há dias comentava com uma amiga que os centros comerciais estavam empestados de princesas e palhaços. O Carnaval não é feito de princesas e palhaços. As princesas são criaturas que vivem em palácios e os palhaços, esses, fazem parte do circo. E sempre que chega esta época, cada vez mais pobre de espírito e originalidade, lembro-me das ideias e disfarces que a minha mãe criava para nós - eram verdadeiras obras de arte. No colégio sempre se realizou o concurso de máscaras e recordo-me que os meus irmãos vinham todos os anos para casa com prémios na mão. Eu, por mais que a minha mãe me incentivasse a ser a melhor, gostava era de ver os longos desfiles carnavalescos e lançar serpentinas e confettis. Existem inúmeros álbuns de fotografias memoráveis lá por casa. O meu irmão já foi mascarado desde Estátua da Liberdade, a Big Ben e Espantalho, tudo desenhado e cosido ao pormenor. A minha irmã Táta venceu inúmeras vezes mascarada de Anão Envergonhado, com uma barriga que ia daqui até à China, de Sistema Circulatório, vestida de branco da cabeça aos pés, cheia de veias vermelhas e artérias azuis ou Atelier de Costura, com tesouras de cartão no cabelo, uma fita métrica de cartolina à volta do corpo, uma blusa cheia de alfinetes, linhas e botões, uma saia feita de inúmeros tecidos com uma máquina de costura de brincar na mão. Eu já fui mascarada de Malmequer, vestida toda de verde, com uma enorme cartolina em forma de flor forrada a cetim branco na cabeça, mas os collants faziam comichão, a cartolina pesava-me a cabeça e eu queria era correr de um lado para o outro. Todos os anos a minha mãe criava construções impensáveis mas, para mim, impensável era ter de as usar só porque sim, só porque havia o maldito concurso de máscaras no colégio e perdi o pouco espírito que restava em mim. Os miúdos do meu tempo (e os de hoje também) queriam era fazer guerras de balões de água, colocar bombinhas de mal cheiro nas salas de aulas e atirar ovos uns aos outros porque ninguém levava a mal. Pois eu levava e deixei de acreditar em disfarces e fantasias. Mais tarde, com 18 anos, decidi festejar o Carnaval no Algarve e mascarei-me, juntamente com as minhas irmãs e o meu namorado, de indiana. Desde perucas longas e escuras, tecidos de lona e seda, anéis e pulseiras, levámos uns dias a pensar numa grande festa de Carnaval - quando a menina Mafalda (eu, portanto) lembrou-se de desmaiar no meio da festa e passar o resto da noite deitada numa cama. O último Carnaval que festejei foi em 2010, no Rio de Janeiro e finalmente conheci o verdadeiro espírito carnavalesco. Disfarces pensados até ao último detalhe, carros decorados de uma ponta à outra, os blocos, o samba, as marchas, tudo para mim era fantástico e maravilhoso. Festejei o Carnaval no Rio, num Cruzeiro e em Salvador da Bahia, durante um mês - foi o melhor Carnaval que já vivi até hoje. E no Domingo também se festejou cá por casa, com um grupo fantástico, com disfarces maravilhosos e um espírito diferente. A ideia era juntarmo-nos e fazermos um jantar para desanuviar a cabeça das aulas e dos espectáculos de teatro. Para que fosse obrigatório irmos mascarados, criámos duplas e um concurso de disfarces – melhor figurino, melhor ideia e melhor dupla. Como não havia tema, estávamos todos bastante curiosos com as ideias de cada um e, quando nos encontrámos no restaurante para jantar, as gargalhadas foram muitas. E os olhares curiosos dos empregados e dos clientes também.

 

 

Red Queen

 

 

 

 White Queen


 

 

Melhor Figurino


 

 

 

 

Melhor Ideia



 

 

 

Yannick Djalo

 

 

 

Lucy

 

 

 

Melhor Dupla

 


 

 

 

Apesar de terem participado apenas três duplas no concurso de máscaras, o mais importante foi sem dúvida o convívio entre amigos.

 

 

 

 

 

E, como em qualquer festa cá em casa, gosto de receber os amigos com surpresas e decorações dignas do momento. E nada como encher a casa de balões e serpentinas numa altura em que o Carnaval dita regras e tendências. Fora os padrões e estéticas, o importante foi termos passado a noite entre gargalhadas e brincadeiras. Desde o Singstar (sim, podemos cantar às quatro da manhã que os meus vizinhos não ouvem), do Cluedo (que modéstia à parte venci o jogo palpitando ao acaso as três pistas), ao jogo da Aldeia e ao jogo do Post´it, a festa durou até à manhã seguinte com muito Carnaval e pouco samba.

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

  

  

 

 

E vocês, mascaram-se?

Como passaram estes dias de Carnaval?

Partilhem os vossos links de fotos e post´s para eu ver as vossas ideias.

 

 

Beijinhos, La Bohemie.