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La Bohemie

Moleskine Addict (and other things).

 

 

 

Desde miúda que escrevo em diários, blocos e agendas. Não escrevia de vez em quando, não, eu escrevia todos os dias e tinha um caderno para cada ocasião - o diário onde falava das amigas inseparáveis, dos namorados que não tinha, das visitas de estudo ou dos mais ingénuos pensamentos que magicavam na minha cabeça. Guardava religiosamente os blocos onde desenhava a carvão, criava personagens irreais e dava-lhes vida numa história com cores e cenários, cheiros e sentimentos. Tinha ainda a agenda onde rabiscava ao detalhe o que tinha feito, onde e com quem. As horas eram escritas ao detalhe com os minutos bem marcados. Colava os bilhetes dos concertos, a ementa do almoço da cantina, o recado que a Francisca escrevera-me durante a aula de Matemática a desabafar que o professor era uma tentação, escrevia as disciplinas que tinha, os sumários e o resumo do meu dia. E depois, como tradição dos longos anos que andei no colégio, tinha o bloco das dedicatórias onde cada colega, professor e até a D. Ana do bar escreviam palavras generosas no final de cada ano lectivo para eu me entreter a lê-las nos dois meses de Verão.

 

 

 

 

 

Os anos passaram, mas a vontade de escrever todos os dias, de rabiscar, desenhar e apontar não cessou. E apesar de viver numa era globalmente tecnológica, onde se enviam sms´s, e-mails, tweets e comentários quase à velocidade da luz, continuo a preferir os diários, blocos e agendas. Continuo a escrever post it´s com recados, a escrever a lista de compras num qualquer papel e, muitas vezes, dou por mim a procurar na carteira uma factura e uma caneta para apontar um número ou um endereço. É curioso como quase por instinto perco segundos à procura de um bloco para anotar e só depois é que me lembro que o podia ter feito no telemóvel, ou dar comigo a passear na rua com o telemóvel na mão e sinto-me obrigada a olhar para o pulso para ver as horas.

 

 

 

 

 

 

 

 

Há quem diga que sou muito apegada ao meu passado, às minhas raízes, à minha rígida educação, há quem me ache simplesmente romântica. Eu acredito que sou um pouco de tudo. Tive o meu primeiro telemóvel aos nove anos, mas prefiro escrever post it´s a mensagens. Tive o meu primeiro computador aos dez anos mas sempre idolatrei a máquina de escrever do meu pai. Sou da era das câmeras digitais mas aprendi a mexer em câmeras analógicas e a revelar as fotografias em casa. Aprendi a desenhar e a fazer linhas rectas sem régua porque sempre preferi os diários, blocos e agendas. E se a minha rígida educação me ensinou a ser muito apegada ao meu passado e às minhas raízes,  então também ensinou-me a optar pela marca de renome Moleskine.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Beijinhos, La Bohemie.

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