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La Bohemie

The Rolling Stones, 50 anos a rockar o mundo.

Segundo dia do Rock in Rio Lisboa

 

Quinze horas e dezanove minutos. Por trás dos portões avistam-se dezenas de t-shirts alusivas à banda dos britânicos Rolling Stones. Há t-shirts com línguas vermelhas, laranjas, douradas e prateadas, portanto não há dúvidas – eles são os reis do dia. Assim que começa a música oficial do Rock in Rio, as portas abrem e num ápice o público corre em todas as direcções, com um único sentido: Palco Mundo. Dos mais novos aos mais velhos, portugueses de todas as pontas do país e centenas de espanhóis apressam-se para marcar o melhor lugar na Cidade do Rock. Mais de 90.000 pessoas lotaram o Parque da Bela Vista.  Mas deixemos a sobremesa para o fim.

Vencedoras do casting de bandas da Vodafone, Andrea Soares e Liliana Almeida são as vozes de um projecto que vinca a diferença e inovação. Da musicalidade das palavras para os sons da música do Projecto Kaya, nasce a relação perfeita entre Portugal e Angola que junta o Fado ao Semba. O xaile de fadista de Andrea e o turbante com padrão africano de Liliana retratam de forma simples esta conjugação entre os costumes minhotos e angolanos. Acompanhadas por seis músicos, actuaram às 16h45 no palco Vodafone e o público deixou-se envolver com músicas como «A Minha Terra», «Kaya Saudade» e «Fangolé».

Quem também actuou no palco Vodafone foi Frankie Chavez. Apesar de ser considerado um «one man show», o guitarrista de blues/folk subiu ao palco às 18h00 acompanhado por dois convidados: um baixista e o baterista João Correia (dos TAPEJUNK e Julie and the Car Jackers). «I don´t belong» começou por cantar. Mas nós achamos que sim, não fosse ele um dos novos talentos mais aplaudidos da música portuguesa. Diz-se fã dos britânicos The Rolling Stones, por isso não podia estar mais do que orgulhoso por actuar num dia especial como este. E especial é igualmente o seu regresso com um novo álbum. Frankie acaba de editar Heart & Spine, uma continuação do primeiro disco (Family Tree, 2001). Músicas como «Don´t Leave Tonight», «Fight» e «Heart & Spine» mostraram-nos como o seu trabalho está mais maduro e cuidado, numa vertente mais rock sem esquecer o seu habitual estilo acústico. «Obrigado pessoal, vocês rockam», disse Chavez, mas nós é que agradecemos o maravilhoso fim de tarde.

Para este dia de comemoração dos 10 anos de Rock in Rio Lisboa, a abertura do Palco Mundo (19h00) esteve a cargo do pai do Rock Português, Rui Veloso que começou o seu concerto com as músicas «Lado Lunar», «Ai quem me dera» e «Chico Fininho». Para além da sua habitual banda, convidou a conceituada beninense Angelique Kidjo e o brasileiro Lenine que nos presentearam com uma actuação inédita que visou unir Portugal, África e o Brasil através da música. Rui Veloso conta com uma carreira de 30 anos de sucessos e foi a quarta vez que actuou no Rock in Rio Lisboa, tendo marcado também presença no Rio de Janeiro na edição de 2011. Angelique Kidjo é uma mulher multifacetada, não fosse ela cantora, compositora, actriz, dançarina e produtora. Apesar de ter marcado presença no Rock in Rio (de Janeiro), em 2013, subiu hoje pela primeira vez ao Palco Mundo em Lisboa, onde cantou «Redemption Song» e «Voodoo Child». O seu talento, originalidade e a forte ligação às raízes africanas presentes nas suas canções definem-se pela diversidade cultural e por autênticos espectáculos musicais, cheios de ritmo e dança. Quem também celebrou 30 anos de carreira, na edição brasileira em 2013, foi o “artista do mundo” Lenine. Cantor, compositor, produtor e escritor, já actuou várias vezes em Portugal e conquistou uma vez mais o público português com a sua abordagem inovadora e criativa que mistura sonoridades que vão dopop ao rock, passando pelo samba e electrónica, visivéis nas canções «Jacksoul Brasileiro», «Do it» e «Candeeiro Encantado».

De volta ao palco Vodafone, a banda de Indiana, Triptides, está constantemente a criar e a apresentar novas versões das suas canções. Gleen Brigman e Josh Menashe começaram por criar a sua música pop em casa mas actualmente apresentam-se ao vivo com Dylan Sizemore no baixo e Jeff Grant na bateria. Depois dos discos Night Owl e Mistery, o álbum Predictions tem canções de rock mais frescas e hoje mostraram-nos em «Set You Free» e «Tapestry» como são capazes de expandir a fórmula que aprenderam a dominar em anos passados.

E porque estamos numa onda do rock, não podiam faltar os veteranos Xutos & Pontapés. Se o Rock in Rio Lisboa está de parabéns, a banda que marcou presença em todas as edições não fica atrás. Comemoram 35 anos de carreira num ano em que lançaram o 13º álbum, Puro, e foram distinguidos com o o Prémio Carreira, na cerimónia dos Globos de Ouro. Começaram com o álbum Puro – «Tu Também», «Salve-se quem puder» e «Tu & Eu» –  mas rapidamente recordaram os velhos tempos com «Contentores» e «Ai se ele cai». Tim, Zé Pedro, Kalú, João Cabeleira e Gui prometeram-nos um espectáculo replecto de energia, muitos riffes de guitarra e toques de «Vida Malvada».

Numa noite que contou com a actuação dos ícones do rock The Rolling Stones, quem melhor para actuar antes se não o special guest que mais vezes tocou na tour do 50º aniversário dos Stones, em 2012, Gary Clark Jr.? Músico de blues, soul, pop, psicadélico e hip-hop, Gary lançou o primeiro álbum em 2012, Blak and Blu e desde então que tem recebido os mais variados elogios por parte da crítica. Esta noite, às 22h00 no Palco Mundo, além de ter tocado a maravilhosa música «Please Come Home», que o levou a ganhar o Grammy de Melhor Performance R&B, tocou alguns dos seus êxitos como «Bright Lights», «Don´t Owe You a Thing» e «Numb».

Para fechar em grande o Palco Mundo, e depois de sete anos de ausência as tão aguardadas estrelas do rock britânico voltaram a Portugal com a14 – ON FIRE Tour.  «Olá Lisboa. Olá Portugal. É bom estar de volta… não sei mais português», saudou-nos Mick Jagger. Para muitos, assistir a este concerto foi um sonho tornado realidade, para outros não foi uma estreia, mas dizem ter sido melhor, mais intenso. E para quem ache que muito em breve estes velhos do rock`and`roll só darão concertos deitados no Hospital de Santa Marta, desengane-se, eles estão ali para as curvas. Bem, nem tanto porque o Mick Jagger é magrinho, mas é simpático e mostrou saber falar português, espanhol e italiano. Disse que «Portugal vai ganhar a Copa do Mundo» e ainda que «Portugal e Inglaterra vão jogar na final». Na volta não sabia muito bem o que estava a dizer, mas sabe como cantar e encantar o público. The Rolling Stones, depois de muito suspense, subiram ao palco e iniciaram o concerto com «Jumping Jack Flash» e «It’s Only Rock ‘N’ Roll». Cantaram clássicos como «Gimme Shelter», «Brown Sugar», «Sympathy for the Devil» e «Start Me Up», mas ao fim de três músicas somos surpreendidos com a presença de Bruce Sringsteen que subiu ao palco e cantou a maravilhosa «Tumbling Dice». Quem regressou foi Gary Clark, claro, que tocou «Respectable» do álbum Some girls. Mas há mais.

A noite foi de festa, o Rock in Rio Lisboa comemorou 10 anos, os britânicos celebram as pedras de ouro.  Stones regressaram com um coro lisboeta acompanhado por dois maestros e um encore de duas músicas, «You can´t always get what you want» e naturalmente a mítica «(I Can´t Get No) Satisfaction» cantada por todo o público, enquanto o fogo de artifício rasgava o céu e o eco se fundia no parque.

Nota: Às 22h30, de acordo com dados da organização, tinham entrado no Parque da Bela Vista 86 mil pessoas, entre as quais Bill Clinton, segundo a Lusa, Ana Moura – que atuou com a banda em 2007, a banda Deolinda, António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, e António Mexia, presidente da EDP.

 

Texto: Mafalda Saraiva

 

Beijinhos, La Bihemie.