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La Bohemie

A problemática dos snobes.

 

 

Ser-se snobe hoje em dia é o mesmo que sair à noite e pedir um gin - está na moda. Hoje em dia é-se snobe por tudo e por nada. É-se snobe porque se usa calças de cintura subida, uma carteira da Longchamp ou uns Louboutin, mesmo que comprados a metade do preço. É-se snobe porque se vai beber um copo ao Cais do Sodré, apanhar sol ao Park ou degustar um brunch no Choupana Caffe. É-se snobe porque janta-se sushi, hambúrgueres e pregos no pão do caco. Esqueçam, afinal toda a gente vai, faz e diz consoante aparece na revista Time Out. Ser-se snobe é outra coisa, mas isso não interessa nada. Desde que o outro possa e eu não. Desde que o outro diga e eu não. Desde que o outro faça e eu não, será sempre um snobe medíocre que tem a mania que é mais do que eu. Porque na verdade ele tem culpa de poder e eu não. Ele tem culpa de dizer e eu não. Ele tem culpa de fazer e eu não. Mas quem é que ele pensa que é para pensar de maneira diferente do que eu?

Há dias deixei o meu snobismo em casa e fiz o que as pessoas normais costumam fazer: andei de Metro. Foram apenas três paragens, mas ainda assim consegui apanhar uma conversa entre duas pessoas normais:

 

- Disse ao marido que queria as t-shirts penduradas porque dobradas ficam todas amarrotadas.

- Ai por amor da santa, que parvoíce. Vai gastar imensos cabides para nada. Não pode arrumar as t-shirts numa gaveta?

- O que é que queres? Ela é assim. Ela agora está a preparar o quarto do bebé e diz que vai pintar todo com cores pastel.

- Cores pastel? Que horror! O quarto das crianças devem ser com cor. As crianças precisam de muitas cores. Laranja, verde, azul...

- Pois, eu também acho. Olha, a sério, nós somos muito amigas desde sempre, mas ela é bué snobe. Devias ver...

 

E pronto, as pessoas normais, como são normais, aproveitam as cúmplices viagens de Metro para tricotar o seu admirável mundo de corte e costura sobre as amigas snobes. E, por momentos, pensei que a vida daquelas pessoas normais nem pintadas com cores garridas e vivas conseguiam superar as cores básicas e medonhas da vida das pessoas snobes. Mas é normal, as pessoas snobes - que deviam ser as primeiras a manifestar uma atitude de superioridade, essas presumidas que menosprezam todos os outros - devem estar mais preocupadas com a sua vidinha do que com a dos outros. Caras amigas, se me estiverem a ler, e caso falem de mim no Metro, no café ou em casa, lembrem-se que a minha casa está pintada de branco e eu guardo as t-shirts em gavetas. Mas se quiserem, estão à vontade para passá-las a ferro ou trazer baldes de tinta com cores giras. A Time Out é capaz de ter dicas sobre isso.

 

Beijinhos, La Bohemie.