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La Bohemie

A coincidência mais bonita de todas.

Depois de tantos textos sobre coincidências, havia escrito aquele que seria muito provavelmente o último - A coincidência das coincidências. Primeiro porque sou do tipo de pessoa que não acredita nelas. Segundo porque já me aconteceram tantas, que qualquer dia faço parte do grupo de pessoas que acredita mesmo nelas. E ontem vivi mais uma. A mais bonita de todas elas.

Quem me conhece sabe que se há coisa que gosto é de conhecer pessoas e as redes sociais já me levaram a conhecer algumas que ainda hoje são muito importantes para mim. Ainda é esquisito para muitos este estranho mundo de se combinar um café com alguém que seguimos no Twitter. Ainda é confuso para alguns essa estranha coisa de se ir jantar com alguém que apenas se conhece do Facebook. Pois para mim é estranho que essas mesmas pessoas achem ridículo este tipo de encontros quando elas próprias não têm tempo para cafés e jantares com pessoas que conhecem e gostam.

Mas esta história é diferente. Apesar de seguir poucas pessoas no Twitter, já conheci centenas. Desde jantares em restaurantes, em casa, idas a jogos de futebol, ao cinema, discotecas, manifestações. Já me cruzei com pessoas no Metro, na rua, num bar. Já viajei para perto e para longe, já tive chatices, já tive momentos muito bons, já fiz amizades, já desfiz supostas amizades. Já tive várias situações de me perguntarem no meio da rua «És a Mafalda do Twitter, não és?» ou mesmo «Somos amigos no Facebook, não somos?». Sim, as redes sociais são tão densas como descartáveis, aproximam o longínquo, ligam-nos a milhares de pessoas que frequentam os mesmos espaços que nós, que vivem a três quarteirões de nós, que utilizam os mesmos transportes do que nós.

Das noventa pessoas que sigo, havia três que tinha o enorme desejo de conhecer pessoalmente. Descobrir quem eram, saber como eram e entender o que tanto nos ligava entre palavras. No ano passado disse-lhes isso mesmo, que as queria conhecer. Se não fosse em 2013, que fosse em 2014 num jantar que organizei para os seguidores do Twitter. Uma delas conheci ainda no final do ano passado, o N. Não me lembro há quanto tempo o sigo, mas sempre gostei do que partilha, desde política, a música ou notícias que tanto gosta de ler no seu jornal matinal. Faltava-me conhecer o B. e o J. e recordo-me de partilhar isso com o N. no dia em que o conheci, que tinha muita curiosidade em saber quem seria o J., pessoa mais reservada e contida nas suas escritas, mas com uma forte capacidade de clareza e determinação. Seguimo-nos uns aos outros e foram várias as vezes que falámos sobre o facto de os querer conhecer há muito, tanto que estavam todos convidados para o tal jantei que ainda não aconteceu.

Ontem fui beber um copo com o N. ao Teatro Maria Matos e relembrei que tínhamos o jantar marcado para breve e que tinha também de avisar o J. caso se tivesse esquecido, uma vez que estão convidadas dezenas de pessoas. Depois de uns copos e muita conversa à mistura, comentei com o N. que estava sentado ao fundo da sala um rapaz de blazer que me havia chamado a atenção, apesar de ver mal ao longe. Tentámos perceber se era alguém conhecido até que desistimos. Assim que pedi um café, fui até à varanda do teatro e ali fiquei alguns minutos quando de repente, aparece-me à frente o tal rapaz de casaco e diz-me «Boa noite Mafalda, estás boa?». Petrifiquei. Ainda há minutos havia falado dele e afinal sabe o meu nome? «Não estás a ver quem eu sou, pois não? Sou o J.» Por segundos, achei que fosse brincadeira, que o N. havia pedido a um tipo qualquer para se fazer de J. só para eu ficar contente, mas depois percebi que era mesmo ele e abracei-o. Estava tão feliz como baralhada. Ainda há minutos tinha tocado no nome dele, tinha comentado que não me podia esquecer de o lembrar do jantar como me havia pedido. Ainda há minutos estava com o N. a falar do J. e ele estava ali à minha frente depois de ter confirmado com o N. que eramos mesmo nós. Pareceu-me um sonho, aquilo não podia estar mesmo a acontecer. Era coincidência a mais. Era bom de mais. E foi, passámos o resto da noite todos juntos a conversar sobre nós e o Twitter. E foi, foi a coincidência mais bonita de todas.

 

Beijinhos, La Bohemie.