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La Bohemie

Perdemos o foco.

Perdemos o foco.

Chegámos a um ponto de saturação tão elevado que disparamos contra tudo e contra todos, criticamos tudo, refilamos com todos. E isto é exaustivo. É angustiante. Deixámos de nos focar no importante, no essencial, vagueamos pelas ruas da amargura, apontamos o dedo à paisagem que nos rodeia e chutamos todos os destroços que encontramos no caminho. Deixámos de parar e observar. Já não importa, já não interessa. Que se lixe esta merda toda, pensamos. Eles que resolvam, ponderamos. A culpa é deles, não nossa, constatamos. Então e nós? Que papel essencial temos nós na sociedade? Que fazemos nós para mudar o que está mal? Criticamos! Vamos para a rua berrar, bater, gozar. A culpa é deles, não nossa. Tornámos-nos em pessoas pessimistas, mesquinhas e derrotistas. Que importa se os outros estão bem e alcançam o sucesso se nós estamos mal e conseguimos nada? Se eles têm, nós também temos de ter. Que mediocridade! Se nós não podemos ter, vamos acabar com o que eles têm. Que pequenez! Tenho para mim que nos vestimos de senhor Zé Povinho, mandamos um manguito para o ar e deitamo-nos ao sol à espera que chovam moedas de ouro. Que servilismo! Como se os nossos antepassados tivessem nascido em fortunas, como se as nossas origens não tivessem também elas começado do zero, do esforço, do empenho e vontade. Como se todos os outros que lá vão não tivessem lutado até ao fim para conseguir um início. Somos um povo muito pequenino, perdemos o foco e enquanto não nos concentrarmos no que é realmente importante, seremos sempre um povo infantil. Deixemo-nos de desculpas, deixemo-nos de criticas não construtivas e construamos algo, mesmo que pequeno, mesmo que simbólico, mas construamos algo. Para nós e para os outros.

É isto que desejo para 2014 e para sempre: foco.

 

Beijinhos, La Bohemie.

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