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La Bohemie

Amor sem regresso.

Nunca te disse mas apaixonei-me por ti. Não foi uma paixão doentia nem obcecada, mas doce e controlada. Como se isso fosse possível. Envolvi-me de tal forma no teu mundo que acabei por me perder no meu. Contagiaste-me com esse teu sorriso meio escondido mas feliz e acreditei que eu próprio poderia viver essa felicidade contigo. Porra, apaixonei-me mesmo por ti. E tu és tão teimosa que preferiste viver fechada num mundo iluminado pela tua própria ilusão, sempre acreditaste que o vosso amor era de uma força inesgotável e esperaste que ele voltasse. Mas não voltou. Não voltou e tu sabes que não vai voltar. Encostaste a porta na esperança que ele a abrisse sorrateiramente enquanto dormias numa cama aquecida pelo tempo, e adormeceste profundamente na magia dos teus sonhos. Agora olho para ti acamada, doente, presa a um passado que nunca terá um futuro e pergunto-me se algum dia voltarás a ser a mulher por quem me apaixonei, firme e determinada, de uma arrogância agridoce que fez de ti uma mulher independente e lutadora, envolvida na sensibilidade de uma pele arrepiada, apaixonada pela emoção das próprias palavras.

Estás doente, diferente. Falas angustiada, sorris obrigada. Nunca pensei que o amor matasse, mas tu estás a morrer. A febre contagiou a tua alma e o teu corpo treme de medo, pânico e terror. Desististe de ti mesma e agora estás a perecer, como se morrer fosse a única forma de enterrar esse amor que destruiu tudo o que construíste.

Pintei as paredes de tua casa de branco, como me pediste. Não desgosto, mas falta-lhes cor, a mesma cor com que pintavas os meus dias. Faltam as cores e personalidade com que pintavas todas as telas que me pediste para encaixotar. A tua casa está branca como a tua pele, despida como a tua alma. Vou embora e vou fechar a porta porque esse teu amor não vai voltar, tu sabes que não vai voltar.

 

Beijinhos, La Bohemie.

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