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La Bohemie

Um minuto de felicidade.

Ah, um minuto inteiro de felicidade!

Mas não basta isso para encher a vida de um homem?

 

Fédor Dostoievsky, Noites Brancas




– Não sou arrogante – assegurou em tom categórico. – As pessoas podem achar que o sou, mas não me conhecem o suficiente para perceber que sou apenas bruta. É isso, eu não sou arrogante, sou bruta. É diferente. Sou sincera e frontal e as pessoas não sabem lidar com a verdade. Preferem dizer que sou arrogante, em vez de olharem para si e perceberem o erro de Platão. Se as pessoas sentissem mais e pensassem menos, talvez Platão se tivesse ocupado com outras teorias. Eu não sou arrogante – refutou quase num tom austero – sou sensível e vulnerável. Tenho o rosto fechado. Mas não sou antipática, tenho apenas o rosto fechado. Não preciso de sorrir para que percebam que estou feliz. Eu sou feliz. Sorrio com os olhos, com a alma e o coração. Eu quero lá saber que as pessoas saibam que sou feliz. A felicidade é minha, não delas. Por vezes sou obrigada a sorrir e só me apetece chorar. Por vezes sou obrigada a usar esta máscara. Todos nós usamos máscaras, sabes? Quando entro em pânico, eu riu. Riu muito, como se esta vida não passasse de mais uma comédia romântica. Mas não sou arrogante, sou bruta. E hoje tiraste -me as máscaras, fizeste-me rir, fizeste-me sorrir. Com o rosto. Com a alma e o coração. Obrigada, Tiago. Obrigada.

 

Beijinhos, La Bohemie.


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