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La Bohemie

Amanhã será um bom dia.

 

 

Quando me ligaram do outro lado do mundo a dizer que a minha irmã estava internada no Hospital São José à beira da morte, uma parte de mim morreu. Para mim era impossível que algo de mal lhe acontecesse. Para mim era impensável tirarem-me as duas pessoas mais importantes da minha vida. Mas estava mesmo a acontecer, de um dia para o outro, foi internada com uma doença tão rara que apenas uma em cada milhão de pessoas a tem. Teve alta apenas um ano depois, mas teve todos os chefes de equipa de inúmeras áreas do hospital de volta do caso dela em busca de uma cura. Operaram-na com sucesso e o caso dela foi apresentado em colóquios em várias partes do mundo. E eu não estive lá. Não estive com ela porque a minha irmã suplicou à Mãe para não me contar, porque tinha a certeza que a primeira coisa que eu faria era meter-me num avião e regressar a Portugal. Não me contaram nada porque a minha irmã, apesar de estar a morrer, não queria que eu desistisse do meu sonho e não queria que eu deixasse tudo o que o Brasil me deu para trás. E isso não tem preço.

Mais tarde, quando a minha Mãe me contou que estava com um cancro demasiado avançado no estômago; mais tarde, quando eu lhe liguei a dizer que ia ser operada ao útero, percebi que nada nos derrubaria. Nada nos deitaria abaixo. Nada. Porque nos temos umas às outras. As três. Porque quando o Amor é superior às nossas crenças, quando o Amor é superior a tudo aquilo em que acreditamos, o Amor vence. O Amor vence sempre. E o nosso Amor vencerá para todo o sempre.

Amanhã a minha irmã faz anos. Vinte e um. E eu desejo-lhe o mundo.

Amanhã é o dia da minha irmã, amanhã é também o dia da nossa Mãe.

Amanhã será um bom dia porque as tenho todos os dias.

 

Beijinhos, La Bohemie.

 

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