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La Bohemie

É hoje.

«Parva, estúpida, anormal» são os três nomes que senhora minha Mãe cita cada vez que nos lembramos do Natal de 2009, quando tive a excelente ideia de ir passá-lo a São Paulo. Na altura parecia uma decisão banal, inofensiva, havia de ter outros Natais para passar junto da família, mas depois... depois não foi assim tão simples. Passar toda a quadra natalícia no outro lado do oceano foi muito duro. Senti falta de tudo. Do frio, do cheiro a lareira, das camisolas de lã e das pantufas farfalhudas. Senti falta do conforto de casa, dos risos e gargalhadas, das discussões com os meus irmãos, do frenesim dos embrulhos, do cheiro a comida, da família. Lembro-me de estar num jantar com mais de trinta pessoas e sentir-me completamente sozinha. Também havia muita comida, muita música, muito calor humano, muitas conversas, muitas gargalhadas, mas eu sentia-me sozinha. Senti um vazio atroz. Faltava-me o mais importante, a família. A minha família. Não ter aquele abraço da Mãe, aquele beijo da Táta, aquele presente do Ivo foi violento. Eles são os meus pilares, eles são a minha família. Eles são os três mosqueteiros que estão sempre prontos para me segurar quando me falha o chão. E por isso, quando no Natal de 2009 me faltou o chão, e não os tinha lá, chorei. Foi uma decisão que me amadureceu muito, fez-me ver as coisas de outra forma e entendi o verdadeiro sentido de união e de família. A família é o mais importante que temos, quer gostemos ou não. E não é apenas no Natal, é sempre. Todos os dias, todas as horas, nós devemos pensar na família, devemos estar lá, para eles, porque também eles perdem o chão.

Hoje começa o meu Natal. Hoje começa o frenesim de organizar o jantar de aniversário da minha irmã Táta, de lhe preparar surpresas, de fazer malas, de viajar para junto da família, de criar vídeos com os melhores momentos para lhes mostrar na noite de Natal. Hoje começa a confecção de bolos, de doces, de verdadeiras iguarias caseiras que se estendem até ao Ano Novo. Hoje começa a loucura dos embrulhos, dos cochichos, dos chocolates nas botas de Natal, das jantaradas na sala de jantar, da lareira, a lenha a queimar durante horas, dos filmes em família na sala de estar. É hoje que começa o que mais acho importante nesta altura: o espírito de união, entreajuda, de dedicação e empenho. É hoje.

 

 

Beijinhos, La Bohemie.

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