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La Bohemie

Matilde, a terrorista.

Se há coisa de dois meses era uma doçura de gata, curiosa mas sossegada, hoje é uma verdadeira terrorista. Terrorista! Não há outra descrição possível.

 

- A Matilde podia comer da sua comidinha Gourmet, mas o que ela gosta mesmo é de enfiar aquele focinho no meu prato de creme de marisco, no paté de atum ou lambuzar-se com o molho da carne assada. Também podia contentar-se com a sua tigela de água del cano, mas não, a fina tem a mania que enfiar a cara no copo de sumo é que é bom, ou pior, no copo de vinho que é para dormir na paz do senhor. Qualquer dia está-me a pedir para ir beber copos à Bica.

 

- A Matilde tinha a mania de se colocar em frente à televisão. Ficava ali muito sossegadinha a apreciar os movimentos e troca de planos, mas agora deve achar que comunica com o além e vai de meter as suas lindas patas no ecrã, assim bem esticadinhas como quem dá um aperto de mão. Se uma pessoa não fica atenta, qualquer dia tem o raio da gata enfiada no cenário das Manhãs da Júlia.

 

- Quando me obriguei a montar a Árvore de Natal, imaginei logo todo o cenário que se seguia. Apesar de ser uma pequena amostra de árvore, coloquei apenas enfeites de peluche, para não ter de passar os dias a aspirar cacos e restos de bolas de Natal. Ainda assim, deixei junto da árvore dois bonecos para a pequena Mati poder brincar. Sim, sim, claro. Aquele trambolho não satisfeita com os seus dois novos amiguinhos, conseguiu subir para cima dos puffes e puxar o pobre ursinho que ocupava o lugar da estrela. Foi urso, foram luzes, foram bolas, foi árvore, foi tudo atrás. Tudo! A minha irmã chama-lhe instalação, eu acho que tenho uma Joana Vasconcelos em casa.

 

- Aquele pequeno demónio podia partir a imensa colecção de garrafas de vidro com areias que estão no jardim; podia partir todos os serviços de pratos que se encontram bem à vista na cozinha; podia partir os inúmeros frascos com fotografias que tenho na sala; podia partir o enorme espelho que está na entrada e com o qual a Matilde gosta de lugar como se fosse o panda Kung Fu; podia partir toda a catrefada de tralha que se aglomera cá em casa, mas não, aquele trambolho tinha de roer a coisa mais importante da minha vida, o carregador do telemóvel pessoal. Fiquei destroçada, desolada, virei a casa toda do avesso à procura do outro suplente, quando percebi que estava em casa de senhora minha Mãe, no Algarve. Demónio!

 

- De resto, coisas completamente normais, como trepar as minhas pernas e ficar pendurada nas calças enquanto faço o jantar; agarrar-se às minhas pantufas e usá-las como se de uma confortável cama se tratasse; fazer esquizofrénicos corta-matos pelo canteiro das flores bem ao estilo foragida; esconder-se no saco da roupa suja e ir para dentro da máquina agarrada a uma qualquer camisola, pendurar-se nos tapetes estendidos na corda e baloiçar longos minutos ou, passatempo preferido, subir bem ao topo do anexo do jardim e ficar pendurada no colchão da cama, como se não estivesse a dois metros de altura. Coisas pequeninas e inocentes, portanto.

 

A Matilde é uma terrorista, mas é o amor da minha vida e só me apetece estrafegá-la de mimos.

 

Beijinhos, La Bohemie.

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