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La Bohemie

Em conversa com Tiago Ferreira.

Se eu pensar no que me atrai num homem, talvez sejam vários os requisitos. Mas se me perguntarem o que me chama a atenção num homem, eu responder-vos-ei: a originalidade. Seja ela simples ou excêntrica, o que me vai sempre chamar a atenção num homem é a sua capacidade de se destacar do comum. E ele destacou-se uma vez, e outra, e outras. Em apenas duas semanas vi-o vezes sem conta e destacou-se sempre com aquele andar apressado e recto, um estilo pessoal muito específico, quase esquizofrénico. Dia após dia saltava de uma estilo para o outro, quase experimental. No final da Moda Lisboa fiquei com a sensação de o conhecer sem saber sequer de onde era. Mas nem por isso desisti de conseguir encontrá-lo outra vez. Eu precisava de o conhecer. Não fazia ideia do nome dele, de onde era e onde poderia encontrá-lo, mas consegui. Poderia sentir o poder de ter feito uma investigação quase detalhada, mas não. Este mundo é pequeno demais para as minhas grandes ambições e encontrei-o num simples clique. Vi meia dúzia de blogues sobre moda e acho que o encontrei em quase todos. Só precisava de descobrir o nome. Passei o processo para o senhor Facebook e num instante descobri que se chamava Tiago Ferreira. Adicionei-o e facilmente percebi que estava ligado à Moda. Claro, "ele veste roupa de mulher e saltos altos. Representa andróginos, uma mistura de culturas e roupas acessíveis", pensei eu. E pensei bem porque estuda na Escola de Moda de Lisboa. Só precisava de me encontrar com ele e fazer-lhe umas perguntinhas, mas aproximou-se o Portugal Fashion e eu iria ausentar-me durante alguns dias. Não pensei mais no assunto. Mais uma vez o senhor Facebook pregou-me das suas e o Tiago comentou o meu delírio "Respira-se moda por todos os lados". Estava aí a minha oportunidade de lhe perguntar se ia ao Porto e a resposta foi afirmativa. Rapidamente pedi-lhe para marcarmos uma entrevista e mostrou-se bastante disponível. Voltei a sentir a adrenalina da produção, de marcar entrevistas, fazê-las e depois publicá-las. Voltei a sentir a paixão que verdadeiramente tenho por este trabalho. Não que fosse entrevistar a Olivia Palermo ou que fosse escrever para a Vogue, mas a investigação. Guardei o número do Tiago para contactá-lo mais tarde, mas ironia das ironias guardei-o incorrectamente. Estávamos no terceiro dia de desfiles e eu tinha vários trabalhos marcados, incluindo a entrevista ao Team Gunn, mas tinha de o encontrar. Não faço ideia como, mas vejo o Tiago no meio do público num desfile. Fiquei aliviada porque sabia que ele estava ali e só tinha de o encontrar no intervalo. Para quem sabe, a Alfândega do Porto não é propriamente pequena e os últimos dias estavam apenhados de gente. Mas voltei a vê-lo num outro desfile. Sim, podia delicadamente levantar-me no final e ir falar com ele, mas não estava ali a brincar e ao fim de cada coleção voava para a sala de imprensa para escrever. Restavam-me alguns intervalos para conseguir encontrá-lo. E encontrei. Estava a falar com um amigo meu ao telemóvel (Tito, este momento deve ser-te familiar) quando eu olho para o Tiago, o Tiago olha para mim e eu digo ao Tito "Encontreio-o" e desligo. Parecia um filme de acção em que andava desesperada à procura de um criminoso. Num misto de felicidade e nervosismo conto-lhe a minha aventura de apontar mal o número, de o ver no meio dos desfiles e não conseguir encontrá-lo nos intervalos. De subir e descer escadas nuns sapatos de 15cm e ele conforta-me e diz "Mas estás girissima". Folguei. Respirei. Sorri. Conheci-o. Ponto. O que deveria ser uma entrevista foi uma conversa bastante agradável, onde partilhámos ideias "fashiolistas", comparámos o espaço do Porto com o de Lisboa, as pessoas do norte e as do sul, mas acima de tudo, rimos muito. Foi a primeira vez que conheci um homem e disse-lhe "eu quero essa mala, onde compraste a camisa e esse colar é fantástico". E enquanto conversava com ele e com o amigo, eu viajava para o início desta conversa e reafirmava "Sim, o que me chama a atenção num homem é a sua originalidade, seja ela simples ou excêntrica, o que me vai sempre chamar a atenção num homem é a sua capacidade de se destacar do comum". E o Tiago Ferreira, de 20 anos, é a prova disso. Afasta os maus olhares e as derradeiras invejas com a sua originalidade e personalidade e foi exactamente por isso que gostei tanto dele. Esqueci as perguntas, não escrevo as respostas, mas hoje guardo dois dias em que ele voltou a cruzar-se comigo vezes sem conta, sempre com aquele andar apressado e recto, com aquele estilo muito específico, quase esquizofrénico. O Tiago que começou a interessar-se por moda no primeiro ano da primária elege a Fiona Bunnet e o Berthold Rothas como os seus modelos preferidos e também tem um blogue, o ADN. A ele agradeço a simplicidade do excentricidade, a ele agradeço o comum do incomum. A ele agradeço a simpatia da ironia.

 

First Look

 

 

Tiago was wearing a cloak from A Outra Face da Lua; a Burberry´s shirt; a skinny jeans from Levi´s; a vintage belt and clutch and boots from Bimba&Lola.

Second Look

 

 

 

 

 

 

Tiago was wearing a t-shirt from Zara; a cloak from saymyname; leggins and black necklace from H&M; feather necklace from New York; a Martens´s boots and a bag by Filipe Faísca.

 

Beijinhos, La Bohemie.

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