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La Bohemie

A Nata chegou a tempo do Natal.


 

Quando soube da morte do Martim fiquei desolada. Não sabia o que pensar, muito menos dizer. Imaginá-lo a morrer indefeso foi de uma violência visual atroz. Sou alérgica a gatos e talvez por isso nunca lhes liguei muito, mas com o Martim foi diferente. Fora o primeiro gato pelo qual me apaixonei, mesmo. Assim que cheguei a casa da Ana e do João, rendi-me e passei a noite inteira agarrada e a brincar com ele como se me tivesse despertado, de repente, o relógio biológico. Foi por causa do Martim que me ofereceram a Matilde, a gata mais bonita deste mundo e do outro e sem a qual não imagino os meus dias. Não sei de onde vem este meu incondicional e repentino amor pelos animais, mas sei que tenho tido pesadelos nas últimas noites por causa da Matilde, com receio que não esteja bem, que lhe aconteça alguma desgraça ou que me fuja de casa e nunca mais a veja. Estive quatro dias no Algarve e a pequena Mati ficou com a minha irmã que a ama de paixão, e trata dela como se fosse sua, mas fiquei com um aperto no coração tão grande que me sinto impotente por não poder protegê-la para sempre.

O Martim partiu, mas ontem chegou a Nata. Fomos buscá-la ao fim do dia e, assim que a Ana agarrou nela e vi aquele brilho nos olhos, percebi que iam ser muito felizes. E eu quero que sejam muito felizes, porque quando o amor é incondicional, tudo é mais simples e bonito. A Nata é o presente de Nata(l) que a Ana e do João mais merecem, mas eu sou a madrinha mais babada deste mundo e do outro.

 

 

Beijinhos, La Bohemie.

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