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La Bohemie

Um corte de cabelo, um peso de ombros.

Falava-se de cortes de cabelo. Parece que o meu post anterior gerou uma certa intriga e muita gente não quer de todo que o corte. Estou desolada, meus amigos, desolada. Pensava que me ia já aventurar numa verdadeira extreme makeover, mas pronto, isso logo se vê. Depois de me terem quase suplicado para não o cortar, surgiu uma conversa interessante. Quase telepática, diria eu. Pedi autorização para transcrever alguns excertos porque acredito que seja das conversas que surgem grandes reflexões - e possíveis conclusões.


(...)


- Vou pensar no assunto... estou teimosa e quero mesmo cortá-lo.

O que te diminui a teimosia?

Faço-me a mesma pergunta todos os dias. Sou de instintos e cliques interiores. Quando sinto que tenho de fazer, faço, seja teimosia ou não.

- Há uma teoria que defende o mimo. Quanto mais mimo e atenção, menos teimosa é uma mulher.

Essa teoria está comprovada?

Eu acredito nela! É uma forma de combater uma boa discussão! Mimo, carinho, amor...

- Talvez concorde um bocado.

Uma mulher furiosa não deseja ser contraditada... antes amada! Nem que seja com palavras.

- Aí concordo perfeitamente.

A jovem da imagem também queria cortar o cabelo Desistiu. Sorriu.



- E quando uma mulher furiosa, como dizes, precisa de ser ouvida e não o é? Quando uma mulher precisa de um ombro qualquer para não cair e não o tem? Quando uma mulher precisa de uma palavra amável, de um olhar atento, de um abraço reconfortante e pura e simplesmente não o tem? Fica, ou vai embora? Espera e fica a remoer aquilo ou vira costas e segue caminho? É apenas mimada, teimosa ou outra qualquer coisa?

Os ombros às vezes estão à nossa frente e não os vemos... Mas reconheço alguma pertinência no teu raciocínio.

E quando o ombro que queremos (aquele) não está? É nesse que se baseia a minha questão.

Não está porque está longe ou simplesmente não está?

Fisicamente está, mas não está. Ele está ali mas se calhar não quer estar e faz de tudo para não estar, até que a mulher, já sem saber o que fazer ou dizer, "enfurece" e vira costas. E deixa de estar de todas as formas.

Então não é desse ombro que precisas...

- Boa resposta.

- Esse ombro é falso e um dia iria quebrar. Tens de ter um original, que te sustente, que te apoie e que te segure o braço e o teu peso caso caísses de um precipício. No fundo, um Ombro em vez de um ombro.

 

 

- Um ombro bebe o café. Um Ombro, fica para a vida. Um Ombro beija-te a alma e pede-te para que não cortes o cabelo. Um ombro encolhe os ombros. Um Ombro vai-te buscar caso temesse que te metesses com um ombro errado. É a chamada "carga de Ombro".

Há pessoas que não estão para carregar pesos nas costas.

O egoísmo ocupa o espaço todo.

- E a arrogância.

É às camadas. A arrogância fica por cima do egoísmo. Uma espécie de tosta mista.

Tu disseste-me um dia que desligavas o `complicómetro´. Como fazes isso em relação a um ombro egoísta e arrogante? Ou melhor... e se esse ombro for egoísta e arrogante por estar magoado ou por uma questão de defesa pessoal, e quem não está a ser um Ombro és tu por não aceitar pura e simplesmente isso?

- Imagina uma pessoa que se torna arrogante e egoísta. Primeiro tentas perceber o porquê. Traças um plano temporal. Mas quando esse plano temporal acaba, vais embora. Tornas-te numa pessoa mais feliz. Acho que não se consegue ajudar uma pessoa que não quer ajuda. E até a recusa. Não precisas de ombros falsos. Se alguém magoado amar, perdoa, não se torna egoísta ou arrogante. Quem ama, perdoa. 

- Então, deves mesmo deixar esse ombro sossegado e tratas de cuidar do teu ombro sozinho? Até que encontres outro Ombro...

Não significa que a receita seja igual para todos. Só um a remar, não dá. Aliás, dá cabo dos ombros de quem rema. Entendes?

Entendo. Fui operada ao ombro em Setembro e sei bem as dores que isso implica. Literal e metaforicamente. Colocaram-me uma espécie de cartilagem à volta do ombro.

- Sobre o valer a pena ou não "lutar" por um ombro "egoísta" acho que o critério deve ser: se amas, luta. Se não amas, arruma num canto. Muda de cartilagem.

Mas e se lutar for indiferente?

Não lutas e não desperdiças energias. São uns totós que não estão ao nível da tua cartilagem.

 

Beijinhos, La Bohemie.