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La Bohemie

Quando o peso da vida nos estrangula.

 

Estou na fase em que mais gosto quando se muda de casa: viver a própria casa. As coisas já estão minimamente compostas e todos os dias fazem-se pequenos ajustes e alterações de modo a que o conforto seja maior de dia para dia. Voltei a pintar telas - coisa que não fazia há muito; voltei a desenhar - o que também achei ter perdido para todo o sempre, e todas as noites, quando a lua ilumina o céu, debruço-me sobre o meu universo e mergulho numa plenitude que há muito não sentia. Não foi um ano fácil e aprendi que quando a nossa saúde, e a dos que amamos, está em risco, tudo o resto se torna mais difícil de aceitar, de superar. Entramos numa bolha de ar e flutuamos sem sabermos nitidamente onde estamos e com quem estamos, confundindo muitas vezes o bom e o mau. E se eu tenho os melhores amigos que alguma vez poderia merecer, também me cruzei com algumas pessoas más. Ingenuamente não soube ter sangue novo para distinguir quem me queria o melhor e perdi todo o chão que construira com garra e determinação. Não é fácil olharmos para uma pessoa de quem gostamos e admirámos em tempos e dizer-lhe que é má, que nos faz mal, mas que acima de tudo faz mal a si própria. E eu, que nunca fui pessoa de desistir, este ano desisti e assumi-o afincadamente de modo a libertar-me desta bolha imensa que me consumia dia após dia até ficar sem ar. Sinto que comecei do zero e estou pronta para recomeçar uma qualquer etapa que esteja por descobrir. Finalmente, acordei do Estado de Hipnose.

 

Beijinhos, La Bohemie.