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La Bohemie

«Quem não tem cão, caça como gato».

Numa altura em que a maioria das minhas amigas estão a casar e a ter filhos, tornei-me uma verdadeira chata a suplicar às que ainda não têm para os ter, mas recebo sempre em troca um «E tu, quando é que arranjas namorado?» e minha ideia de cuidar dos filhos dos outros esvoa num ápice.  A verdade é que com o fim do noivado com o Marcelo, há um ano, nunca mais me meti noutra e tornei-me insuportável com o enorme desejo de ter um cão, aliás, desde que me conheço que me imagino a ser Mãe e a ter um cão, como se nada mais importasse. Mas se o primeiro desejo está longe de acontecer, o segundo ainda mais complicado se tornou. Primeiro foi a desculpa de não ter varandas em casa, o que seria um verdadeiro tormento para o cão, fechado todos os dias num apartamento; depois foi o facto de não ter tempo suficiente para cuidar dele. Quando me mudei para a casa nova e vi que tinha jardim, a primeira coisa que disse foi «Agora já posso ter um cão». Andei uma semana a pensar exaustivamente no assunto, mas percebi que ainda não chegou a altura de o ter. E nestas situações sou bastante cautelosa porque por mais que deseje algo, tenho perfeita consciência se tenho ou não capacidade e meios para realizar. Apesar do espaço e das condições mais que suficientes, nunca teria tempo de o passear duas e três vezes por dia, e como viajo quase todos os fins-de-semana seria completamente impossível andar com um cão para a frente e para trás.

No sábado tive um jantar em casa de amigos e o assunto filhos/namorados/cães veio novamente à baila. Os amigos casados, com animais de estimação e sem filhos (ainda); eu sem casamento, sem filhos e sem cão - a perfeita drama queen. Antes que me passasse pela cabeça dedicar-me à pesca ou converter-me a freira Carmelita, a Ana disse «Vou oferecer-te um gato». Por breves segundos estive para lhe responder o que durante 20 anos respondi à minha Mãe «Não posso ter gatos porque sou alérgica», mas seria um pouco ridículo uma vez que passei a noite toda agarrada à Pinguças e ao Martim sem um único espirro. Assim que contei à minha Mãe que me tinham oferecido uma gata respondeu-me de imediato «Tem de a devolver porque é alérgica». Depois riu-se, como se eu estivesse a pregar apenas uma partida, mas acabou por se mostrar bastante interessada quando me disse «Prepare-se porque a menina é mesmo alérgica e terá muitas crises de alergia e sinusite». Mães. Acho que depois disto me vai obrigar a comer bacalhau, por mais que saiba que detesto. Amanhã vão entregar a gata a casa e a Matilde já tem casamento marcado com o Martim. Já que não me caso, que seja uma Mãe feliz por casar os seus filhos.

 

A Pinguças

 

 

O Martim

 

 

Ontem passei a noite agarrada ao computador a ler tudo sobre gatos e completamente maravilhada com a quantidade de produtos direccionados a esta espécie animal, mas estou totalmente receptível às vossas dicas e conselhos.

 

Beijinhos, LaBohemie.