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La Bohemie

A ousadia de desistir.

Não me venham dizer que desistir não é socialmente correcto, não me tentem convencer que deixar de lutar é politicamente incorrecto porque eu nunca gostei de lugares-comuns nem de rótulos impostos por uma sociedade que continua a preferir um rosto sorridente a um coração feliz. Saber desistir no momento certo não é um acto de fracasso ou cobardia, muitas vezes chega mesmo ser um gesto de grande humildade e sabedoria.

E quando nos fartamos de estar fartas? Quando reparamos que, afinal, não era bem este tipo de relação que desejávamos? Quando sentimos que poderíamos ser mais felizes noutra área? Estar infeliz pessoal e profissionalmente é o mesmo que estar incompleto e essa insatisfação, esse desgaste, essa desmotivação podem mesmo levar-nos à ruina. Por vezes, a única saída é desistir e dar o salto, mesmo que doa, mesmo que deixe feridas. Lance Armstrong disse uma vez «A dor é temporária. Desistir é para sempre.» Desistir custa, e muito. Mas a falta de coragem para desistir de algo ou de alguém prende-nos a uma ilusão frustrante, agarra-nos a um estado infeliz e encaminha-nos para um labirinto de decepção e baixa auto-estima. Quando não há esforço, há conformismo. E eu deixei de me conformar com meias tentativas, meias lutas, meios sentimentos.

Quando a vida fica naquele fio ténue em que se ganha a certeza da fragilidade do que somos, o mundo ganha novo sentido. Tudo quanto nos preocupava, tudo quanto achávamos importante muda drasticamente na nossa lista de prioridades. O regresso à essência, o retomar à felicidade plena das pequenas coisas que nos dão prazer e significado é inevitável.

Vale a pena lutar por uma relação boa, vale a pena lutar por um bom cargo no emprego, vale muito a pena protegê-los, fazer com que resultem em perfeita harmonia entre o esforço e o prazer. Uma relação, uma amizade, um emprego dão trabalho. Mas é importante sermos suficientemente humildes para percebermos quando estamos a mais, é preciso sabermos olhar de cima e entender quando não estamos a dar o nosso melhor ou até mesmo quando não sabemos dar mais e ceder esse lugar a outra pessoa – no trabalho ou numa relação. Ter a coragem de dizer «Basta!», ter a ousadia de confessar «Estou farta!» ou assumir «Eu não sou capaz.» não é um acto de cobardia, mas de nobreza, de coragem. A verdade é que para estarmos felizes precisamos de fazer realmente aquilo que gostamos. E, às vezes, isso implica mudar de rumo, saltar sem medo do escuro. Este salto dá-nos a oportunidade de olhar, sem preconceitos ou ideias feitas.

É preciso parar e saber o que se quer. Por isso, não me venham dizer que sou cobarde ou fraca ou imatura porque eu sei o que quero, e hei-de desistir de tudo aquilo que me faz mal as vezes que forem necessárias até conseguir o que realmente me faz feliz.

 

Beijinhos, La Bohemie.

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