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La Bohemie

Eu não sei reciclar.

Antes que me digam que sou uma irresponsável e que não penso no ambiente, aviso desde já que não faço reciclagem porque não existem contentores para esse uso perto de minha casa. Posto isto, admiro muito quem faça, eu não sei fazer. Em casa da minha Mãe no Algarve faz-se e aquilo é uma verdadeira obra de arte. Imaginem cinco e sete pessoas numa cozinha a passar os frascos de maionese e azeitonas por água para irem para onde? Para o lixo! É pior do que ter de lavar a loiça à mão para colocar na máquina de lavar, e eu adoro lavar a loiça. Depois há toda uma ciência de volta da reciclagem. As garrafas de plástico vão para um sítio, mas as tampas vão para outro. As embalagens de croissants colocam-se num balde, mas os pacotes de bolachas são no do lado. Tudo o que é copinhos de iogurtes, pacotes de leite e sabe deus mais o quê têm de se lavar antes de deitar fora. A sério?! Aquilo não vai ser tudo queimado e triturado? «Colocas as caricas das garrafas de cerveja neste garrafão, as rolhas naquele e as tampas dos iogurtes líquidos no outro»

Quando comecei a fazer as limpezas profundas lá em casa por causa das mudanças dei comigo a deitar fora desde aquecedores completamente queimados, a carregadores de telemóveis sem vida, papelada desnecessária e os tais frascos com rolhas e caricas com mil anos. Eu no fundo já fazia reciclagem, mas dentro de casa, porque na rua não há contentores. E senti pena. Como é que uma pessoa faz reciclagem se não existem na rua contentores para esse propósito? Acho que quando fizerem a separação de lixo e encontrarem os sacos de minha casa me vão rogar pragas... Biquínis rotos dentro de caixas de cereais, embalagens de detergentes misturadas com escorredores da loiça, agendas velhas no meio de côdeas de pão e cápsulas de café. Sim, acho que me vão mesmo mandar dar uma volta ao Campo de Cebolas.

Ontem ao final do dia fui a casa da minha Mãe, na Portela. Apesar de estar arrendada, ficámos com acesso à garagem e à arrecadação e é precisamente lá que vou guardar toda a tralha que ando a encaixotar há dias, portanto fui buscar as caixas dos meus móveis e verificar o espaço que tenho. Encontrei dois caixotes enormes com sacos de plástico lá dentro com o aviso «NÃO DEITAR FORA», mas eu sou do contra, por isso espero que alguém saiba ler e que seja muito feliz com as dezenas de colecções que deitei para o lixo. Mas o que me impressionou foi precisamente a área da reciclagem. Todas as casas têm na cozinha uma daquelas tampas onde se coloca o lixo biodegradável e vai parar aos contentores da rua, mas ao lado da zona de lavar carros, na garagem, têm dezenas de contentores com mil e uma cores - para o papel, para o cartão, para as embalagens de plástico, para o vidro, para as pilhas, para os electrodomésticos, para as tampas, para madeira, para ferro, mas não tinham para árvores de Natal. E eu fiquei meia hora a tentar perceber onde deitava aquela porcaria. A caixa era de cartão, o apoio de plástico, o pé de metal e o material da árvore inflamável. E vim embora com a sensação de que aprendi zero de reciclagem estes anos todos porque deixei a caixa no chão e vim embora de mansinho.

 

Beijinhos, La Bohemie.