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La Bohemie

O céu, as estrelas e eu.

Se há momentos que me protegem são aqueles ínfimos segundos em que penso em nada, sinto nada. Aqueles momentos em que entramos num estado de espírito completamente neutro e parece que o corpo flutua numa outra dimensão. Aqueles momentos em que nos sentimos seguros e achamos que nada nem ninguém será capaz de nos magoar. E chegam a ser tão raros que quando os sinto apetece-me ficar estática a contemplá-los para sempre. Lisboa tem uma rotina tão acelerada que nos esquecemos muitas vezes de parar para olhar e ver, sentir e entender onde estamos e para onde vamos.

Ontem fui jantar a casa de uns amigos e a primeira coisa que pedi foi para ver o terraço e fiquei completamente fascinada com a dimensão do pátio e, assim que vi a relva, deitei-me. Todo aquele chão era meu, todo aquele céu era meu. Aquele momento era eu e desejei ficar ali estática a contemplar toda aquela serenidade para sempre. Claro que rapidamente distraí-me, questionei-os como era possível terem todo aquele espaço e não terem uma piscina insuflável, mesas e cadeiras para os amigos, como não faziam jantaradas e pic-nics, não passavam as noites deitados em espreguiçadeiras a contemplar as estrelas. Idealizei de imediato todo um parque de diversões para as tardes e noites quentes de Verão. Mas aqueles tais ínfimos segundos foram meus, pensei em nada mas senti tudo.

 

 

Beijinhos, La Bohemie.