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La Bohemie

O dia em que conheci dois pauliteiros.

Isso mesmo, conheci dois pauliteiros e passei a tarde toda a falar de paus e dedos tortos. E saias, também se falou de saias. 


Márcia - O Paulo e o Diogo são pauliteiros.

Mafalda - São o quê?!


De repente, tive muito receio de ter feito tal pergunta, passaram-me dezenas de imagens um tanto obscenas pela cabeça, gurus a cumprir religiosamente um ritual diário com paus e coisas esquisitas. Se para mim fazia todo o sentido que os naturais de São Paulo fossem paulistas, não consegui relacionar dois mirandeses com a palavra pauliteiros. 


Márcia - Quando ele me disse que era pauliteiro, também não sabia o que era. Mas o Paulo explica-te.

Paulo - Oh Mafalda, tu não usas todas essas redes sociais como o Facebook e o Twitter?

Mafalda - Uso, aliás, sou uma viciada assumida.


Caramba, redes sociais, pauliteiros, como é que eu não sei o que são pauliteiros? É um novo status? Um grupo de elite fechado e eu desconheço completamente? 


Paulo - Pauliteiros de Miranda. Somos um grupo de oito homens, usamos uma camisa, uma saia, um colete... e dançamos com uns paus nas mãos.

Mafalda - Mas que tem isso a ver com as redes sociais? Também têm Facebook, é?

Paulo - Também temos Facebook.

Márcia - Sim, o que é que isso tem ver com o Twitter? Eu mostro-te um vídeo.

Mafalda - Ahhhh, eu conheço mais ou menos isto. Mas não sabia que se chamavam pauliteiros. E este nome é por dançarem com paus? Faz sentido.

Paulo - Depois tocam gaita-de-foles. Estivemos agora no Porto, na Feira Medieval de Coimbra...

Mafalda - Nos escuteiros também se aprende um combate com uns cajados.

Paulo - Foste escuteira?

Mafalda - Não. Mas tu usas saia...

Paulo - Sim, usamos saia até depois do joelho, umas meias e umas botas.

 

E assim foi, o Paulo explicou-me como se vestiam, onde ensaiavam, quando actuavam, quantos eram, como e porque se juntaram e ainda hoje guardo para mim o sorriso meio escondido por os imaginar aos dois de saia a dançar com paus na mão. Mostrou-me as mão magoadas, um dedo torto e eu voltei a imaginar dezenas de imagens um tanto estranhas. Gosto muito do norte, gosto das pessoas do norte, dos seus costumes e tradições. Gosto do orgulho que têm pela sua terra, pelas suas origens e conhecer naquela tarde dois homens de Miranda do Douro que fazem centenas de quilómetros para ensaiar, viajam para actuar, para fazer algo que representa a sua cidade e o seu país fez-me sentir pequenina.

Miranda do Douro, vemo-nos daqui a quinze dias. E pauliteiros, preparem os vossos... as vossas saias.

 

Beijinhos, La Bohemie.