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La Bohemie

As mulheres são umas sonsas!

Tenho para mim que isto de andar a rever todos os episódios da série Sexo e a Cidade não me anda a fazer muito bem. Não me recordava de alguns episódios e agora tenho tido disponibilidade para analisar melhor (e com outra perspectiva) a relação da Carrie e do Aidan e, bem lá no fundo, dá-me vontade de lhes puxar os cabelos, aos dois, sem dó nem piedade.

Há dias apanhei o episódio sobre os Fantasmas que perseguem as quatro amigas inseparáveis, no qual a Carrie não quer ir à festa do bar do Aidan e do Steve e, quando as amigas decidem arrastá-la até lá, percebe que gosta mesmo do Aidan e que a única solução é admiti-lo. Conversam, ela diz-lhe que ainda gosta muito dele e que quer voltar a ser sua namorada, mas o homem não vai em cantigas. Diz que a quer apenas como amiga e eu bati palminhas. Toma lá que é para aprenderes a não ser coquete, sua sonsa. Mas não ficou por ali, nós mulheres não sabemos levar com um não, não admitimos que nos rejeitem e entramos num estado autenticamente bipolar de «ainda bem que acabámos, o gajo até um parvalhão do pior/ como é que o idiota conseguiu deixar-me e agora está com aquela lontra ordinária?» e fazemos de tudo para infernizar a vida dos ex-qualquer-coisa. Ainda pensei que a Carrie fosse forte e o mandasse também às malvas, voltasse para o Big como passa a vidinha a fazê-lo, mas não. O que é que a pobre da Carrie faz? Envia-lhe mensagens, e-mails, liga a perguntar porque não teve resposta, aparece-lhe em casa à noite atirando pedrinhas à janela, chateia-o, chora, berra, ajoelha-se e faz um drama infernal à espera de voltar para os braços do otário do Aidan. Sim, otário. Então não é que o tipo, que me parecia decente e inteligente, leal a si mesmo, em vez de a fazer sofrer como ela o fez, em vez de seguir com a sua vidinha, foi a correr até casa dela e beija-a? Beija-a, senhores! Abraça-a, diz-lhe que gosta dela, diz-lhe que quer voltar a namorar com ela?! «Que estúpido» dissemos eu e o Nelson ao mesmo tempo. Pela primeira vez na vida gostei de ver um episódio de Sexo e a Cidade com um homem que concordou comigo. Ele concordou comigo, o Aidan foi um fraco. «Os homens são uns fracos nestas coisas», confessou-me o N. outra vez.

Vocês são uns fracos e nós somos umas parvalhonas. Ontem vi mais dois episódios na diagonal enquanto pintava as unhas. O Aidan convidou a Carrie para passar uns dias na casa de campo que ele construíra e ela foi contrariada. Mas o episódio era precisamente sobre a grande problemática de cedermos ou não quando um gosta e o outro torce o nariz, aprendermos a gostar do que eles gostam e eles aceitarem o que nós gostamos. Até aqui tudo bem mas, numa noite, a Carrie vai a Nova Iorque jantar com o Big e ele conta-lhe que conheceu uma estrela de cinema de Hollywood e admite-lhe que gostam imenso um do outro. A colunista acaba por ser um ombro amigo numa altura em que o Big começa a sentir-se rejeitado pela sua nova paixão e chega mesmo a ir ter com ela à casa de campo do Aidan. E este permite, este permite que a Carrie fique a falar ao telefone com o ex-namorado fechada no armário para ele não ouvir a conversa, este permite que a namorada fique fechada no carro a falar com o Big enquanto ele fica a chuchar no dedo na sua própria casa. Como assim? Ou eu sou mesmo uma mulher à antiga e estou fora de moda ou não entendo como é que o Aidan admite toda esta palhaçada mesmo à frente do seu nariz. E como é que a Carrie, sabendo que lá no fundinho ainda gosta do Big, continua a encontrar-se com ele como se nada de mal estivesse a fazer. Apeteceu-me dar um par de estalos a cada um dos três.

E é por isto que voltar a ver a série me faz mal à cabeça, faz-me lembrar como os homens por vezes são uns totós e nós mulheres somos umas cabras, sonsas armadas em ingénuas, manipuladoras. Nessa mesma noite, o Big apanha uma bebedeira tão grande que acaba por ficar a dormir no sofá do namorado da sua ex-namorada e esta, na manhã seguinte, diz-lhe que têm de ser amigos para que ela possa fazer parte da vida de ambos. Ahhh espertalhona, a miúda. Como se já não fosse do conhecimento de toda a gente que a melhor maneira de trair alguém é fazê-lo à frente de todos, às claras, naturalmente. «Ahhh eu namoro com este, traio-o com aquele, mas como se conhecem e somos todos amiguinhos ninguém vai desconfiar.» Sonsas! Nós somos umas sonsas, senhores.

Ainda há dias, em conversa com uma amiga, desabafei «Ohhh, não venhas com coisas. Vocês são casados, toda a gente já sabe que vocês são casados» quando me disse que mesmo depois de terem casado elas continuam a enviar mensagens ao marido. Tudoooo muito inofensivo, coitadinhas. É quando eles estão comprometidos que vos dá mais adrenalina, não é? É quando eles vos deram com os pés e arranjam outra que vocês gostam de mostrar como mordem, não é? Não sabemos cuidar apenas do que é nosso, não sabemos ficar quietinhas no nosso lugar e deixar os outros sossegados e felizes? Nãooo, queremos é festa e Santo António.

É por causa das falsas ingénuas e dos homens fracos que eu detesto namoros, detesto festas e Santos Antónios onde encontro o meu namorado a sardinhar com outra. Não há Sexo, Cidade e Manjerico que aguente!

 

Beijinhos, La Bohemie.