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La Bohemie

Naquela noite.

Quando naquela noite desci a rua euforicamente e senti um murro no estômago, as mãos trémulas, o coração impaciente, o corpo imóvel, a cabeça pesada, os olhos perplexos, a boca seca, o sangue congelado, a memória enfraquecida, o pensamento baralhado, a pele despida...

Quando naquela noite desci a rua e, de repente, senti um tremor, uma cãibra, uma dor, tão abomináveis, tão fortes, tão insuportáveis...

Quando naquela noite desci a rua apressadamente e vi-o encostado à parede, debruçado sobre um corpo que não o meu, abraçado a uma silhueta que não a minha, a sorrir como sempre me sorria...

Quando naquela noite os vi, olhos nos olhos, braços nos braços, lábios nos lábios... naquela noite prometi a mim mesma que não voltaria a sentir o que senti, a ver o que vi, a sofrer o que sofri.

 

Beijinhos, La Bohemie.