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La Bohemie

Ensaio #5 A última dança.

Estou perdido.

Vazio da essência que outrora me preenchia.

O sopro da vida desapareceu despercebido

E perdeu-se a alegria que antes ardia.

 

Neste mar de tristeza, cria-se uma tempestade de perfeita confusão,

De mágicas cores e sons rodopiando na alma

Ao som de suaves violinos sem cordas numa confissão

Da vida perdida, despertando a eterna calma.

 

A insondável vida que levei

Aclara-se diante dos olhos que sempre fechei,

E então reparo: os momentos pelos quais toda a vida esperei

Passaram, céleres numa corrida contra o tempo que sempre desprezei.

Cometi faltas terríveis para com tudo e todos - Até a mim próprio falhei;

Contra o mundo, orgulhosamente pequei.

 

Choro pela vida que não vivi.

Choro pelos pecados que cometi.

Choro pela felicidade que perdi.

Lamento as promessas que não cumpri.

Lamento as mentiras que prometi.

Lamento todas as vezes em que menti.

 

Já não interessa,

De nada serve chorar.

Já não tenho pressa,

A última dança está a acabar...

 

As boas memórias

Servem-me agora de consolo.

As más são apenas estórias.

Meu Deus, como pude ser tão tolo?

 

Toda a minha vida na ignorância vivi.

Por estúpidos sonhos sobrevivi.

Por estúpidas esperanças sofri.

Atrás de estúpidas paixões corri.

Por estúpidos desgostos escrevi.

Por estúpido orgulho, morri.

 

Agora, esta demanda terminarei.

Acabaram-se as razões pelas quais nunca parei.

Assaltam-me agora em força os sinais que antes ignorei.

Agora não mais sofrerei.

Agora não mais chorarei.

Chegou a hora! Agora partirei...

 

Beijinhos, La Bohemie.

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