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La Bohemie

O Meo dilema de vida.

Se eu não conhecesse o tipo de recrutamento de pessoal para trabalhar na Meo Pt, diria que são todos atrasados mentais. Mas como até gosto de me manter informada, sei que são pessoas com formação, interactivas, inteligentes e perspicazes. São pessoas dinâmicas que por força maior encontram-se à frente de um computador a cumprir regras superiores. Todas as chamadas podem ser avaliadas ao segundo, por isso têm de cumprir um determinado número de minutos de chamada e tornam-se chatos. Todos os passos podem ser observados por colegas e chefes de outras equipas, por isso têm de ser extremamente competentes para que não lhes cai o Carmo e a Trindade em cima e continuam chatos. A função deles é única e exclusivamente vender, seja um p3 ou um p4, seja apenas internet ou telefone, têm de vender. Se não venderem, vão fora e são rapidamente substituídos.

Claro que há uns anos achava que só lá trabalhava gente que não tinha perspectivas profissionais, pessoas que por qualquer razão eram atiradas aos lobos de um call center e tinham de se fazer à vida. Ainda hoje há algumas assim, é certo, mas depois descobri que até se recebe um ordenado composto, quanto mais se vende mais se ganha, que até se pode subir de degrau e chegar a um lugar de topo. Mas para isso têm de cumprir regras e são essas regras que nós, clientes, desconhecemos, não fazemos ideia das broncas e conflitos que vêm do chefe e do chefe do chefe e do director dos chefes. Nem temos de saber, obviamente. Se somos contactos por um técnico da Meo Pt exigimos que seja educado e eficaz, que não seja chato nem nos ocupe muito tempo. Ponto. Mas tal como há clientes mais tolerantes do que outros, há funcionários mais competentes do que outros e é aqui que surge um possível acordo, uma oportuna venda. Uma vez explicaram-me que a venda não se dá no momento em que o cliente diz «sim, quero», acontece precisamente no momento em que o funcionário ouve um «não, não estou interessado» e terá de utilizar o seu jogo de cintura para conseguir agradar e convencer quem está no outro lado da linha. Mas nem toda a gente tem cintura de abelha como eu e é visto como um autêntico abelhão (e leva um grande não).

 

- Boa tarde, fala a Joana (qualquer coisa) da Meo Pt e gostaria de falar com a Srª dona Mafalda Saraiva, por favor.

- É a própria.

- Srª dona Mafalda Saraiva, eu tinha aqui uma nota de um colega meu com quem a senhora falou e presumo que já tenha ponderado em alterar para o p4.

- Não, de facto falei com um colega seu, mas nem me chegou a abordar esse assunto porque eu estava de saída e pedi para me contactar noutro dia.

- Muito bem, então vou explicar-lhe rapidamente no que consiste o p4 e quais as vantagens.

- Eu conheço bem o p4 e os preços do mesmo.

- Muito bem, Srª dona Mafalda Saraiva, diga-me uma coisa, qual é a rede de telemóvel que costuma utilizar?

- Tenho duas redes pessoais. Só uso a Optimus para trabalho.

- E se não é indiscrição, quanto gasta mensalmente em casa uma?

- Não sei, dez, quinze, vinte euros, depende da rede e do pacote de internet.

- Deixe-me então só fazer a simulação do que gasta por mês.

- Com certeza...

- Já agora, qual é o pacote Meo que utiliza?

- Desculpe, mas está a fazer a simulação sem confirmar os meus dados? Deve ter isso à sua frente e até deve saber em que dia pago a mensalidade. Não faço ideia do pacote que tenho porque nunca pago a mesma coisa, vocês alteram tudo sem avisar. E por isso mesmo não quero alterar para o p4. Eu pagava 68 euros por mês e um colega vosso conseguiu baixar a mensalidade para 41 euros já com os TvCine, o acréscimo de sete euros por todos os canais, que não pago, e também não pago o aluguer da box. Por isso, nem precisa de fazer a simulação porque o p4 custa 87 euros, mais do dobro.

- Compreendo, mas repare que paga esses 41 euros como me está a dizer sem acrescentar o que gasta em mensalidade de telemóveis… fica muito mais caro.

- Verdade, mas eu também não lhe disse que sou eu que pago a mensalidade dos telemóveis.

- Com certeza, Srª dona Mafalda... ahhh... Saraiva. Desculpe, eu estava distraída e não me recordava do seu nome.

- Não tem problema, pode chamar-me apenas Mafalda.

- Como eu estava a dizer, o pacote em si é de facto 87,49 euros, mas durante o primeiro ano só paga 77,49 euros já com os TvCine porque nunca perde o que já tem. Quando alteramos o pacote é sempre para melhor. (ah ah ah ah ah) E bla, bla, bla wiskas saquetas. Portanto, fica sempre a ganhar com o p4 e podemos reduzir já 10 euros mensais porque sei que a Srª dona Mafalda vai com certeza alterar porque é um pacote irrecusável.

- Desculpe, mas eu nunca me mostrei interessada em alterar o pacote e tenho de fazer as contas primeiro antes de tomar uma decisão.

- Eu compreendo, nem posso obrigá-la a mudar...

- Pois, não pode, nem com pressões psicológicas, por isso, vai ter de me contactar noutro dia porque eu não vou mudar agora. Desculpe.

- Com certeza Srª dona Mafalda, muito obrigada pela sua atenção e continuação de um bom sábado.

- Obrigada e boa tarde.

 

Pois, tudo isto é muito bonito, não fosse ter recebido mais de seis chamadas durante o sábado todo e três no domingo. Bem sei que trabalham ao fim-de-semana, mas eu não e gostava de não ser incomodada de hora em hora quando eu disse que teria de pensar calmamente. Chatos!

 

Beijinhos, La Bohemie.

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