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La Bohemie

Saudades de ter tempo.

Não sei o que aconteceu, mas hoje em dia não há tempo para nada. Lembro-me de ser pequena e acordar cedo para ver os desenhos animados antes de ir para as aulas. Muitas vezes a emissão da Sic ainda nem havia começado e eu esperava ansiosamente para ouvir a música do genérico. As aulas começavam às 09:00h e terminavam às 16:30h, saía do colégio e ainda tinha aulas de ballet, treinos de natação e equitação ao longo da semana. Chegava a casa e havia tempo para brincar com os meus irmãos, fazer os trabalhos de casa, tomar um longo banho com uma panóplia de bonecos e jantar, em família. Os fins-de-semana eram aproveitados ao máximo, havia sempre uma qualquer festa de aniversário, catequese ao sábado, missa ao domingo. Havia tempo para passeios, idas ao supermercado, viagens a Lisboa para ver os avós, tios e primos, almoços e jantares em família. Havia tempo e aproveitávamos o tempo que havia. Hoje os dias passam mais depressa do que um comboio e nós passamos pelos dias com uma tremenda pressa de viver, e acabamos por não viver, não aproveitar, não apreciar. Arranjamos desculpas para tudo e para nada, adiamos o adiável, suspendemos o praticável. Não sei o que aconteceu, mas tenho saudades de ter tempo ou de saber aproveitá-lo melhor. Devo muito a quem tanto me dá, por isso deixo um grande e sentido beijo aos meus amigos e familiares a quem não lhes tenho dedicado o devido e merecido tempo. 

 

Beijinhos, La Bohemie.