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La Bohemie

Simba.

Nunca tinha tocado neste assunto aqui pelo blogue, mas quem me segue no Twitter sabe o quanto tenho desejado ter um cão. «Eu quero um cão», «Já disse hoje que quero muito um cão?», «Se tivesse um cão, iria passear agora com ele», «A vida sem um cão é uma autêntica seca», enfim, uma ínfima saga de lamúrias e lamentações por não ter um cão. A verdade é que sempre tive animais em casa da minha mãe e era um tormento não ter um cá em casa. Sou alérgica a gatos, por isso está fora de questão, um coelho faz imenso lixo e não dá para brincar, os hamsters e alguns roedores morrem passado pouco tempo e os peixes ficam só ali a nadar de um lado para o outro. Eu queria mesmo era ter um cão, mas ter um cão numa vivenda de três andares com jardim e varandas não é o mesmo que manter um cão num mísero T2 como o meu. Haver alguém sempre em casa que o possa passear e dar atenção não é o mesmo que passar o dia todo fora, ter um jantar esta noite, uma festa noutra, um fim-de-semana fora quando apetece ou uma semana de férias quando calha. É preciso tempo, paciência e disponibilidade para se ter um cão em casa; é preciso acordar ainda mais cedo todos os dias, mesmo quando não apetece e está frio lá fora; é preciso mudar a água várias vezes, controlar se come, se fez as suas necessidades, se fez as suas asneiras; é preciso passear uma, duas e três vezes por dia; é preciso dar-lhe atenção, ralhar, educar e brincar com ele. No fundo, é importante ter consciência que se trata de um cão para a vida e não de um mero cão de porcelana que fica ali parado no corredor a decorar a casa até se partir. E foram todos estes avisos que me foram dando ao longo destes anos em que vivo sozinha, contudo cheguei a uma altura em que sinto uma enorme vontade de abdicar de uma manhã na cama, de um fim-de-semana fora, de um jantar aqui ou uma saída ali. Acredito que, com muita dedicação e empenho, se consegue fazer tudo, desde que se queira – como sempre fiz. De há uns meses para cá tenho andado a informar-me sobre cães, a raça mais pequena, a mais calma, a mais obediente, cadela ou cão, precisa de espaço ou não, sobrevive num apartamento, precisa de um jardim, gosta de dormir, gosta de correr, as vacinas, a alimentação, mesmo sabendo que ia adoptar um cão no canil. Falei com imensas pessoas com cães, com cães dentro de apartamentos, com cães dentro de apartamentos sem varandas. Ouvi conselhos de toda a gente, bons, maus, as vantagens e desvantagens, os avisos, os alertas, o peso na consciência, a força para dar este passo. Basicamente, andava-me a sentir uma verdadeira pré-mamã (de um cão), até que fui contactada por um amigo que tem duas cadelas e que me chamou à atenção para a carga de trabalhos que dá em ter um animal em casa. A primeira coisa que me disse foi: «esquece», mas depois lançou-me o desafio de me emprestar uma das cadelas para eu passar pela experiência de ter um animal de quatro patas cá em casa e depois decidir definitivamente. E foi assim, fui a Algés buscar a Simba e é um amor de cadela e eu sou uma pré-mamã mais babada que ela. Simba, diz olá aos meus leitores. 

 

 

Beijinhos, La Bohemie.

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